quinta-feira, março 03, 2005

Altamira


As representações animais, numerosas durante o período aurinhacense e nas épocas ulteriores, são, contrariamente às figuras humanas, mais simbólicas, dum realismo surpreendente. Esta arte vibrante é caracterizada por uma concepção "visual" e dinâmica do animal.
Escondidas nas entranhas da Terra, fora do alcance dos intrusos, estas imagens obedeceram a um propósito muito mais sério que o simples gosto de decorar. Provavelmente, foram executadas para servir um rito mágico destinado a assegurar êxito na caça.



O animal tombou no chão, moribundo, as patas já não podem com o corpo, mas baixa a cabeça para tentar defender-se das azagaias que lhe arremessam.
É uma imagem viva e realista, assombrosa pela agudeza da observação, pelo traçado firme e vigoroso, pelos matizes subtis que dão volume e relevo às formas ou, talvez pela força e dignidade da fera agonizante.

in Janson, H. W., História da Arte, Fundação Calouste Gulbenkian

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