sábado, outubro 18, 2008

Rei e Rainha

Autor: Henry Moore Ano: 1952-53

Desde a década de 30 do século XX que uma ampla corrente de escultores modernistas se propunha reflectir nas suas obras o próprio poder criador da Natureza. Nenhum artista terá, porém, levado tão longe esse programa como Henry Moore. Sem abandonar a vertente construtivista do modernismo, mas revitalizando-a com as influências das culturas não-europeias, nomeadamente da estatuária ameríndia, Moore reinventou a figura humana, motivo preferencial das suas esculturas. Na sua longa série de “Figuras reclinadas”, as formas maciças foram ganhando cada vez maior ritmo e recorte, com os seus espaços ocos e as suas curvas pujantes, assemelhando-se à ondulação de colinas e vales ou à rotundidade das rochas. Igualmente se foi intensificando, na sua obra, a expressão lírica ou dramática, de que é particular exemplo o impressionante grupo escultórico em bronze “Rei e Rainha”, erguido nas terras montanhosas da Escócia. Apesar do perfil esguio das figuras, pouco vulgar nos trabalhos de Moore, encontra-se nesta peça monumental o mesmo recorte, o mesmo movimento ondulatório das formas – aqui porventura mais agreste –, por onde circula a própria força dinâmica da natureza em que está inserida.
Recentemente esta escultura foi reparada devido a actos de vandalismo que cortaram as cabeças das esculturas. Sinais do mundo em que vivemos...

Fonte: História Nove; Maria Emíla Dinis e outros...

segunda-feira, outubro 13, 2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

domingo, setembro 28, 2008

Viollet-le-Duc

Viollet-le-Duc (1814-1879)

"Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo num estado completo que pode nunca ter existido num dado momento."

É com estas palavras que Viollet-le-Duc sintetiza toda a sua polémica teoria acerca do restauro. Ele assume que o restaurador não tem que se preocupar unicamente com o trazer de volta o estado original de determinada obra (neste caso de arquitectura) mas sim restabelecê-la num todo harmónico que se aproxime do todo conceptual que, pelas mais diversas razões, pode nunca ter sido atingido, mesmo no momento da sua construção original.
As suas reconstruções mostram-nos uma Idade Média não exactamente como ela foi , mas como ela deveria ter sido se os artistas e construtores fossem coerentes e não tivessem constrangimentos em levar até ao fim as suas ideias e as suas obras.
Viollet-le-Duc procurava entender um sistema e conceber um modelo ideal, impondo em seguida o esquema idealizado.
Quando visitamos os monumentos emblemáticos da medievalidade francesa (Catedral de Notre-Dame de Paris, Saint-Michelle, Carcassone, Amiens, etc.) estamos a contemplar este ideal que nunca existiu tal como o vemos, mas sem dúvida que é bem mais impressionante assim e o nosso imaginário medieval não seria aquilo que é hoje sem a acção deste homem.

Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879) nasceu no seio de uma estável família burguesa. O seu pai era um funcionário público amante de livros e a sua mãe era irmã de Étienne Jean Delécluze, um pintor e crítico de arte formado na escola de David. Assim, a sua casa e a do seu tio eram frequentadas por artistas e intelectuais do seu tempo que desempenharam um papel importante na sua formação intelectual e desenvolvimento profissional.
Apesar de na França a cultura clássica ter um peso considerável no século XIX, pois dominava claramente a estética da arquitectura oficial, o interesse pela Idade Média foi-se progressivamente acentuando, tal como na Alemanha ou Inglaterra, revestindo-a com um carácter nacionalista tão em voga na época.
O estado calamitoso em que estavam alguns dos emblemáticos edifícios medievais franceses no período pós-revolução e o conhecimento mais aprofundado que Viollet teve destes, após viajar pela França nos anos 30 do século XIX, aliado ao despontar do interesse pelo restauro, fez com que ele passados poucos anos já fosse considerado um especialista em restauro e nomeado inspector geral dos edifícios diocesanos o que fez com que participasse na elaboração e avaliação de projectos de restauração, tendo uma influência decisiva sobre muitos desses restauros.
Da sua prolixa obra escrita destacamos o "Dictionnaire Raisonné de l´Architecture Française du XIe au XVIe Siécle" , um legado monumental absolutamente indispensável para compreender a sua obra e a herança que, de forma indelével, povoa a nossa imaginação.

quinta-feira, setembro 25, 2008

terça-feira, setembro 16, 2008

O guardião do claustro...


Guimaraes_S_Domingos_Claustro_oscar_sp
Originally uploaded by VR2006

GUIMARÃES (Portugal): Claustro da Igreja de S. Domingos. Em primeiro plano, o fiel guardião deste espaço - o gato Óscar.

domingo, setembro 14, 2008

O Peixe Dourado

AUTOR: Paul Klee ANO: 1925

Paul Klee era um desenhador supremo, um dos maiores coloristas da história da pintura e talvez o mais individualista de todos os artistas modernos. Criou o seu próprio mundo, com uma estranha fauna e flora próprias. Depois de fazer uma primeira opção entre a pintura e a música, tornou-se um dos artistas modernos mais poéticos e inventivos. Foi professor da Bauhaus em Weimar e Dessau e depois na academia de Düsseldorf, até ser expulso pelos nazis. O Peixe Dourado ilustra bem o brilhantismo do uso da cor. Este, desliza através do reino da sua liberdade subaquática e todos os outros peixes mais pequenos abrem caminho ao seu corpo resplandecente. O azul das plantas e o vermelho dos peixes transformam-se, algures, em lilás, a cor complementar. Trata-se de um peixe mágico com sinais rúnicos no corpo, barbatanas escarlates e um olho que é uma grande flor rosada. Majestoso, ele está suspenso no ambiente azul-escuro e mágico do mar, iluminado por imagens secretas de fertilidade. Esta nobreza tranquila, o brilho, a solidão, o aspecto geral, tudo faz parte da realidade do próprio Klee, que se celebrizou devido a obras como esta, aberta ao livre curso de interpretações que toda a simbologia ajuda a formular.