terça-feira, setembro 30, 2008

Claustro do Mosteiro de Alcobaça


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ALCOBAÇA (Portugal): Claustro do Mosteiro de Alcobaça.

domingo, setembro 28, 2008

Viollet-le-Duc

Viollet-le-Duc (1814-1879)

"Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo num estado completo que pode nunca ter existido num dado momento."

É com estas palavras que Viollet-le-Duc sintetiza toda a sua polémica teoria acerca do restauro. Ele assume que o restaurador não tem que se preocupar unicamente com o trazer de volta o estado original de determinada obra (neste caso de arquitectura) mas sim restabelecê-la num todo harmónico que se aproxime do todo conceptual que, pelas mais diversas razões, pode nunca ter sido atingido, mesmo no momento da sua construção original.
As suas reconstruções mostram-nos uma Idade Média não exactamente como ela foi , mas como ela deveria ter sido se os artistas e construtores fossem coerentes e não tivessem constrangimentos em levar até ao fim as suas ideias e as suas obras.
Viollet-le-Duc procurava entender um sistema e conceber um modelo ideal, impondo em seguida o esquema idealizado.
Quando visitamos os monumentos emblemáticos da medievalidade francesa (Catedral de Notre-Dame de Paris, Saint-Michelle, Carcassone, Amiens, etc.) estamos a contemplar este ideal que nunca existiu tal como o vemos, mas sem dúvida que é bem mais impressionante assim e o nosso imaginário medieval não seria aquilo que é hoje sem a acção deste homem.

Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879) nasceu no seio de uma estável família burguesa. O seu pai era um funcionário público amante de livros e a sua mãe era irmã de Étienne Jean Delécluze, um pintor e crítico de arte formado na escola de David. Assim, a sua casa e a do seu tio eram frequentadas por artistas e intelectuais do seu tempo que desempenharam um papel importante na sua formação intelectual e desenvolvimento profissional.
Apesar de na França a cultura clássica ter um peso considerável no século XIX, pois dominava claramente a estética da arquitectura oficial, o interesse pela Idade Média foi-se progressivamente acentuando, tal como na Alemanha ou Inglaterra, revestindo-a com um carácter nacionalista tão em voga na época.
O estado calamitoso em que estavam alguns dos emblemáticos edifícios medievais franceses no período pós-revolução e o conhecimento mais aprofundado que Viollet teve destes, após viajar pela França nos anos 30 do século XIX, aliado ao despontar do interesse pelo restauro, fez com que ele passados poucos anos já fosse considerado um especialista em restauro e nomeado inspector geral dos edifícios diocesanos o que fez com que participasse na elaboração e avaliação de projectos de restauração, tendo uma influência decisiva sobre muitos desses restauros.
Da sua prolixa obra escrita destacamos o "Dictionnaire Raisonné de l´Architecture Française du XIe au XVIe Siécle" , um legado monumental absolutamente indispensável para compreender a sua obra e a herança que, de forma indelével, povoa a nossa imaginação.

quinta-feira, setembro 25, 2008

terça-feira, setembro 16, 2008

O guardião do claustro...


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GUIMARÃES (Portugal): Claustro da Igreja de S. Domingos. Em primeiro plano, o fiel guardião deste espaço - o gato Óscar.

domingo, setembro 14, 2008

O Peixe Dourado

AUTOR: Paul Klee ANO: 1925

Paul Klee era um desenhador supremo, um dos maiores coloristas da história da pintura e talvez o mais individualista de todos os artistas modernos. Criou o seu próprio mundo, com uma estranha fauna e flora próprias. Depois de fazer uma primeira opção entre a pintura e a música, tornou-se um dos artistas modernos mais poéticos e inventivos. Foi professor da Bauhaus em Weimar e Dessau e depois na academia de Düsseldorf, até ser expulso pelos nazis. O Peixe Dourado ilustra bem o brilhantismo do uso da cor. Este, desliza através do reino da sua liberdade subaquática e todos os outros peixes mais pequenos abrem caminho ao seu corpo resplandecente. O azul das plantas e o vermelho dos peixes transformam-se, algures, em lilás, a cor complementar. Trata-se de um peixe mágico com sinais rúnicos no corpo, barbatanas escarlates e um olho que é uma grande flor rosada. Majestoso, ele está suspenso no ambiente azul-escuro e mágico do mar, iluminado por imagens secretas de fertilidade. Esta nobreza tranquila, o brilho, a solidão, o aspecto geral, tudo faz parte da realidade do próprio Klee, que se celebrizou devido a obras como esta, aberta ao livre curso de interpretações que toda a simbologia ajuda a formular.

terça-feira, setembro 02, 2008

terça-feira, agosto 26, 2008

O Funeral de S. Boaventura

Francisco Zurbarán (c. 1629)

Ao contemplar algumas obras de Zurbarán a minha imaginação voa para a Espanha tenebrosa dos esbirros da Inquisição. A penumbra e os hábitos sinistros dos monges retratados fazem com que sintamos a proximidade de um Torquemada e um inexplicável fascínio mórbido pela reminiscência lúgubre desta época. Zurbarán ficou conhecido como «pintor de frades» porque retratava os monges do seu tempo em todos os aspectos das suas vidas práticas e espirituais. Tornou-se o pintor modelo da austera religiosidade espanhola. Demonstrou uma perícia extraordinária na criação de efeitos de luz e sombra e na evocação do sentimento religioso. Além do espiritualismo, são também famosas as suas naturezas mortas que revelam uma forte concentração nos pormenores. Com a ascensão de Murillo, a fama de Zurbarán apaga-se e acaba nos últimos anos pobre e quase esquecido. No Fúneral de S. Boaventura os actores humanos do drama estão inundados de luz no meio de uma profunda escuridão. Vestido com as vestes brancas brilhantes de um bispo, segurando a cruz nas mãos dobradas, o corpo do santo jaz no ataúde coberto de um sumptuoso brocado, com a mitra vermelha de cardeal aos seus pés. O Papa Gregório X, que o tinha nomeado cardeal-bispo de Albano em 1273, está de pé, com a sua barba branca, ao lado do rei, a quem parece estar a explicar os méritos do homem morto. A maioria das pessoas, no entanto, são simples monges franciscanos com os seus hábitos castanhos acinzentados rezando pensativamente ou contemplando meditativamente o homem morto. Zurbarán pinta o santo com a sua face cheia de desejo místico mesmo na morte.
No funeral de João Paulo II veio-me à mente muitas vezes esta imagem.