O historiador de arte alemão Lamprecht descreve da seguinte forma este trabalho: "Há certos motivos simples cujo entrelaçar e conjugar determina o carácter destas decorações. No início há unicamente o ponto, a linha e a fita; mais tarde empregam-se a curva, o círculo, a espiral, o ziguezague e um motivo em forma de S. Na verdade, bem parca riqueza de motivos! Mas que variedade se consegue no seu emprego judicioso! Aqui os motivos correm paralelos, ali entrelaçados, ou entretecidos, ou atados ou entrançados, ou então relacionados num xadrez simétrico de nós e tranças. Assim se envolvem fantasticamente intrincados, em quebra-cabeças que buscam solução, cujas convoluções parecem já procurar-se, já esconder-se, e cujas partes componentes, por assim dizer carregadas de sensibilidade, cativam a vista e os sentidos num movimento cheio de apaixonada vitalidade."
Sem dúvida que os monges da Irlanda sentiam pelos livros um amor invulgar naquela época e o manuscrito com a palavra de Deus era um objecto sagrado cuja beleza visual devia reflectir a importância do conteúdo. Pena foi que esse impulso artístico fosse interrompido pela invasão dos Vikings, que destruíram os centros monásticos irlandeses.










