
A actual estrutura remonta ao séc. XVII, como resultado da Guerra de Restauração da independência.
A sua existência foi algo atribulada. O momento de assédio que mais marcou a vila foi quando esta, cercada por tropas francesas, sob o comando do general Massena (Agosto de 1810), foi atingida pelo fogo da artilharia inimiga, que fez explodir o paiol de pólvora, matando e ferindo mais de 500 pessoas. As marcas ainda são visíveis, como podem ver na foto seguinte:

A vila e a sua fortaleza lá continuam, bem conservadas. Todavia, senti um pouco o que já descrevi na minha visita a Castelo de Vide, no ano anterior. Pasmo ver uma terra com tamanhas potencialidades turísticas tão desaproveitada e com tão pouco dinamismo e investimento no seu património. Por duas vezes que a visitei, em dias distintos, acabei por inevitavelmente parar num dos poucos (senão o único) bar aberto. Este, estava repleto de estudantes que, em período de férias, não tinham outro poiso para conviver.O magnífico conjunto arquitectónico vale bem a visita, mas o posto de turismo local nem sequer folhetos da vila tinha. É certo que podiam estar momentaneamente esgotados, mas tornou-se caricato, pois deram-me folhetos de muitas aldeias e vilas das redondezas, menos da que estava a visitar!?
A sensação é de desleixo e desinvestimento. Parece que a inércia está a deixar a pequena localidade envelhecer como os seus canhões. Triste sorte para uma maravilhosa povoação que, com outra vontade mais enérgica, poderia candidatar-se a património mundial.
Já não há forma de contornar a questão, os novos programas de xadrez, aliados aos mais modernos computadores, já superam os humanos!O recente resultado de Bilbao, em que 3 reputados GM perderam pelo score de 8:4, foi mais uma acha para esta fogueira em que é iniludível a grande desvantagem dos humanos contra as máquinas.Nada que não fosse previsível e até nem podemos encarar a situação como dramática... Já há muito que sabíamos que não podíamos rivalizar com os computadores no cálculo bruto. Todavia, sobrava ainda uma ideia, algo romântica, de que o xadrez exigia, para além do cálculo, muita imaginação e intuição e, como tal, estas faculdades dificilmente poderiam ser transpostas para algoritmos, o que se traduziria numa vantagem para o ser humano a muito longo prazo.Temos de dar o mito como acabado.
Dizia-se, na Antiguidade, sobre o bezerro que Míron esculpiu na Acrópole, que era tão realista que as vacas mugiam ao vê-lo.
Na madrugada de 3 de Agosto de 1936, um avião republicano sobrevoou a cidade de Saragoça, volteando sobre a basílica da Virgem e largando três bombas sobre o templo. Duas atingiram o telhado do edifício e uma outra caiu no pátio. O curioso desta história é que nenhuma delas explodiu, o que foi apontado desde logo como mais um espantoso milagre da Virgem.



O interior não é menos fascinante. A pesada estrutura granítica esmaga-nos, tanto mais que algo nos desconcerta ao identificarmos claramente o estilo românico - à semelhaça de Santiago de Compostela, mas de uma dimensão mais próxima de uma Sé Velha ou Sta Cruz de Coimbra - com um remate de abóbada claramente gótico. Como a estrutura original não estava concebida para tamanhas alturas, rapidamente se improvisaram soluções para estabilizar o edifício que ameaçava ruir com o peso da abóbada. À falta dos arcobotantes típicos do gótico, utilizaram-se uns tirantes entre os pilares que suportam a abóbada. Estes foram aplicados ao longo dos séculos, sendo o último do séc. XVIII.
Muito há de interessante para observar, nos altares e capelas interiores. Mostra-se aqui este invulgar Cristo (verde!?) apenas para aguçar o apetite.
No final, ainda tive um bónus, com um admirável concerto de órgão absolutamente inesperado!



