segunda-feira, junho 06, 2005
Google Print
O projecto faraónico "Google Print", que permitirá aceder a uma biblioteca digital de 15 milhões de livros, já se encontra em fase experimental no endereço:
http://print.google.com/
RatDVD
Uma nova fonte de inquietação para a indústria do cinema. Um grupo de estudantes das universidades de St. Petersburgo (Rússia) e Aarhus (Alemanha) desenvolveram um software de compressão de vídeo (RatDVD) capaz de comprimir para um ficheiro de 1GB todo o conteúdo de um DVD, sem perda visível de qualidade. O que poderá levar a um incremento da troca de filmes pela Internet.
Microsoft Office passará a usar ficheiros XML
A Microsoft adoptará a tecnologia XML (Extensible Markup Language) para a nova versão do Office (para já conhecido como Office 12).
Os formatos XML permitem ficheiros mais reduzidos e uma melhor recuperação caso estejam danificados ou corrompidos.
Aliança Mac + Intel
Desiludam-se os puristas da mítica marca Apple Macintosh. Finalmente, a Apple soçobrou frente aos apelos dos processadores mais rápidos e baratos da Intel.A necessidade assim obriga.
quarta-feira, maio 18, 2005
Experimentem o "TOOGLE"!?
Baseado no popular motor de busca Google, o Toogle vai deixar-vos surpreendidos.Experimentem pesquisar com o Toogle e relatem a experiência... Vão adorar!
http://c6.org/toogle/
sexta-feira, abril 01, 2005
Artemisia Gentileschi

Judite decapitando Holofernes
Numa época em que a pintura era um mundo exclusivamente masculino, não por falta de talentos femininos, mas porque o acesso ao estudo e métier da pintura era reservado aos homens, Artemisia Gentileschi destacou-se neste mundo tornando-se o primeiro grande nome da pintura no feminino.
Artemisia Gentileschi nasceu em Roma em 1593. Era filha de um pintor talentoso Orazio Gentileschi, que dominava muito bem a técnica de claro/escuro, muito na linha de Caravaggio. Artemisia vai ser muito influenciada por estes grandes nomes da pintura barroca.
Depois de receber os primeiros ensinamentos do seu pai, este, perante a impossibilidade desta frequentar a Academia, vai entregá-la aos cuidados de um amigo (Agostino Tassi). Tassi aproveitou-se da juventude e ingenuidade da jovem pintora. Acabou por a seduzir e violar. Esta violação deu origem a um longo, humilhante e penoso processo judicial, a que Artemisia se viu exposta e vilipendiada.
Sabe-se hoje que Tassi acabou por ser condenado a um exílio de Roma por um período de cinco anos. Este exílio acabou por durar apenas quatro meses, graças às influências que ele soube mexer.
A obra de Artemisia vai reflectir este desejo de vingança. Neste quadro, tema recorrente na pintora, o general assírio Holofernes é decapitado por Judite, que assim libertou o seu povo (judeu) do jugo dos pagãos. Judite é quase um auto-retrato da própria Artemisia: forte, vingadora e convicta. A degolação pode simbolizar a castração que ela certamente queria infligir ao seu abusador.
A pintora trabalhou arduamente para sustentar a família, visto que o seu marido, que gostava demasiado do jogo, apenas contribuía para que as dívidas se acumulassem.
Durante muito tempo a obra de Artemisia foi injustamente esquecida e por vezes atribuída a seu pai.
Hoje o seu reconhecimento é universal e constata-se que a sua obra contém, em muitos casos, um ponto de vista único, feminino e até feminista, extremamente avançado para a sua época.
sexta-feira, março 18, 2005
O Grito

O célebre quadro "O Grito" de Edvard Munch, cujo paradeiro ainda é desconhecido, continua a suscitar inúmeras polémicas entre os peritos de arte.
Este quadro é frequentemente apresentado como um ícone da angústia existencial. Uma das grandes discussões é se a figura que lá aparece está a gritar ou a ouvir um grito.
A maioria daqueles que conhecem o quadro julga que a figura está a gritar. No entanto, o próprio Munch na referência escrita que deixou sobre a obra, falava num grito da natureza. Mesmo com esta referência, alguns acham que a figura é a personificação deste grito.
Aqueles que conhecem o local, em Oslo, que serviu de fundo à pintura, falam de um matadouro próximo e até de um hospital psiquiátrico. Os gritos poderiam vir daí, da agonia dos animais perante a morte ou dos pacientes do hospital.
Alguns destacam o facto de ele ter conseguido pintar um som. Traduzem este como a ansiedade de uma pessoa no mundo actual.
É evidente que todas estas interpretações resultam da forma como cada um ajuíza aquilo que vê. A arte é isso mesmo, provoca sensações que diferem de pessoa para pessoa conforme a sensibilidade de cada um.
Afinal, se a figura está a gritar ou a ouvir um grito, pouco importa...
terça-feira, março 15, 2005
Castelo de Vide
Recentemente visitei Castelo de Vide. Sem dúvida, esta é uma das mais belas vilas do nosso país.
As suas origens medievais são ainda bem visíveis no impressionante conjunto de portas ogivais e a sua importância ao longo dos séculos traduz-se no acervo de igrejas, casas nobres, fontes e judiaria, disperso pelas ruas de traçado íngreme e sinuoso.
Esta é daquelas vilas que, se bem conservada e explorada turisticamente, poderia atrair inúmeros visitantes e ombrear, nos destinos turísticos, com Óbidos.
Infelizmente, contrariamente a Óbidos, Castelo de Vide só quase por acidente é que se visita e, mais grave ainda, o seu património está a degradar-se de forma visível e incompreensível.

Não se compreende que uma vila com estas potencialidades praticamente não possua lojas de artesanato; cafés, que não façam lembrar os vulgares cafés de aldeia que proliferam nas freguesias do nosso país, e até mesmo os restaurantes se contam pelos dedos de uma mão.
É certo que a sobre-exploração turística é indesejável, mas aqui é o deserto absoluto, a desolação inexplicável.
O património abandonado, igrejas esventradas a aguardar ruína e casas medievais de que só resta a fachada, merecia melhor sorte. Não se compreende como estas casas não são recuperadas para o comércio (lojas de artesanato ou pequenos bares, como em Óbidos e até Marvão, que felizmente tem melhor sorte). Por outro lado, o Castelo está com obras de vulto, onde o cimento é bem mais visível do que seria desejável...
segunda-feira, março 14, 2005
Caravaggio
Aqui há dias chamei a atenção para a exposição de Dürer em Madrid. Contudo, neste momento decorre uma outra grande exposição, num outro grande museu - National Gallery, em Londres. Aqui é Caravaggio, o mestre por excelência da luz e do jogo claro/escuro. Os trabalhos expostos são do período final da sua carreira, nos inícios do séc. XVII. O período mais rico e interessante, já muito longe da relativa frivolidade que caracterizava as suas primeiras obras.
Neste período, em que Caravaggio teve de fugir para Roma, por ter morto um homem num duelo, a sua obra é muito mais dramática e introspectiva.
Para os felizardos que possam lá ir é um evento absolutamente imperdível.
domingo, março 13, 2005
Vilarinho da Furna

Bombardeado pelas imagens televisivas, não resisti em juntar-me à romaria rumo à aldeia de Vilarinho da Furna, submersa em 1972 pela construção de uma barragem e que periodicamente (em anos de seca?) vê novamente a luz, com o rebaixar do nível das águas.
Depois de atravessar a barragem, fomos confrontados com uma portagem de 2€ por carro ou 0,50€ por pessoa, através daqueles que se intitulavam ex-moradores (proprietários) da extinta aldeia. Paga a portagem, seguimos viagem pelo caminho que parecia transitável a uma viatura que estava longe de ser todo-o-terreno.
Passada a primeira curva, começamos a vislumbrar o logro em que caímos. O caminho tornou-se estreitíssimo, de terra batida, esburacado e a fazer recear que a viagem não teria retorno. O pesadelo agravou-se com a terrível descoberta de que a volta se faria exactamente pelo mesmo caminho e que o trânsito se efectuaria simultaneamente nos dois sentidos, sem que alguém orientasse o fluxo ou as prioridades.
O inevitável acontecia, o trânsito bloqueava quando a estrada não permitia dois carros em paralelo. Obrigava os condutores a ter calafrios ao ver abeirar-se o precipício das águas, quando o cruzamento era inevitável; a passar a milímetros dos veículos que circulam no sentido contrário, porque mais vale raspar que cair.
Enfim, a todos que lerem esta crónica e que tenham vontade de lá ir, deixem o carro próximo da barragem e desloquem-se a pé. São 2 Km de percurso, que vale a pena percorrer.
Chegados ao destino, a visão é impressionante. A aldeia conserva ainda a sua dignidade. As casas em pedra, dispostas em aparelho ciclópico não muito tosco, a mostrar que esta não era uma aldeia qualquer. Sente-se nobreza naquelas ruínas.
Depois de atravessar a barragem, fomos confrontados com uma portagem de 2€ por carro ou 0,50€ por pessoa, através daqueles que se intitulavam ex-moradores (proprietários) da extinta aldeia. Paga a portagem, seguimos viagem pelo caminho que parecia transitável a uma viatura que estava longe de ser todo-o-terreno.
Passada a primeira curva, começamos a vislumbrar o logro em que caímos. O caminho tornou-se estreitíssimo, de terra batida, esburacado e a fazer recear que a viagem não teria retorno. O pesadelo agravou-se com a terrível descoberta de que a volta se faria exactamente pelo mesmo caminho e que o trânsito se efectuaria simultaneamente nos dois sentidos, sem que alguém orientasse o fluxo ou as prioridades.
O inevitável acontecia, o trânsito bloqueava quando a estrada não permitia dois carros em paralelo. Obrigava os condutores a ter calafrios ao ver abeirar-se o precipício das águas, quando o cruzamento era inevitável; a passar a milímetros dos veículos que circulam no sentido contrário, porque mais vale raspar que cair.Enfim, a todos que lerem esta crónica e que tenham vontade de lá ir, deixem o carro próximo da barragem e desloquem-se a pé. São 2 Km de percurso, que vale a pena percorrer.
Chegados ao destino, a visão é impressionante. A aldeia conserva ainda a sua dignidade. As casas em pedra, dispostas em aparelho ciclópico não muito tosco, a mostrar que esta não era uma aldeia qualquer. Sente-se nobreza naquelas ruínas.
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