segunda-feira, junho 06, 2005

Aliança Mac + Intel

Desiludam-se os puristas da mítica marca Apple Macintosh. Finalmente, a Apple soçobrou frente aos apelos dos processadores mais rápidos e baratos da Intel.

A necessidade assim obriga.

quarta-feira, maio 18, 2005

Experimentem o "TOOGLE"!?


Baseado no popular motor de busca Google, o Toogle vai deixar-vos surpreendidos.
Experimentem pesquisar com o Toogle e relatem a experiência... Vão adorar!







http://c6.org/toogle/

sexta-feira, abril 01, 2005

Artemisia Gentileschi



Judite decapitando Holofernes

Numa época em que a pintura era um mundo exclusivamente masculino, não por falta de talentos femininos, mas porque o acesso ao estudo e métier da pintura era reservado aos homens, Artemisia Gentileschi destacou-se neste mundo tornando-se o primeiro grande nome da pintura no feminino.
Artemisia Gentileschi nasceu em Roma em 1593. Era filha de um pintor talentoso Orazio Gentileschi, que dominava muito bem a técnica de claro/escuro, muito na linha de Caravaggio. Artemisia vai ser muito influenciada por estes grandes nomes da pintura barroca.
Depois de receber os primeiros ensinamentos do seu pai, este, perante a impossibilidade desta frequentar a Academia, vai entregá-la aos cuidados de um amigo (Agostino Tassi). Tassi aproveitou-se da juventude e ingenuidade da jovem pintora. Acabou por a seduzir e violar. Esta violação deu origem a um longo, humilhante e penoso processo judicial, a que Artemisia se viu exposta e vilipendiada.
Sabe-se hoje que Tassi acabou por ser condenado a um exílio de Roma por um período de cinco anos. Este exílio acabou por durar apenas quatro meses, graças às influências que ele soube mexer.
A obra de Artemisia vai reflectir este desejo de vingança. Neste quadro, tema recorrente na pintora, o general assírio Holofernes é decapitado por Judite, que assim libertou o seu povo (judeu) do jugo dos pagãos. Judite é quase um auto-retrato da própria Artemisia: forte, vingadora e convicta. A degolação pode simbolizar a castração que ela certamente queria infligir ao seu abusador.
A pintora trabalhou arduamente para sustentar a família, visto que o seu marido, que gostava demasiado do jogo, apenas contribuía para que as dívidas se acumulassem.
Durante muito tempo a obra de Artemisia foi injustamente esquecida e por vezes atribuída a seu pai.
Hoje o seu reconhecimento é universal e constata-se que a sua obra contém, em muitos casos, um ponto de vista único, feminino e até feminista, extremamente avançado para a sua época.

sexta-feira, março 18, 2005

O Grito



O célebre quadro "O Grito" de Edvard Munch, cujo paradeiro ainda é desconhecido, continua a suscitar inúmeras polémicas entre os peritos de arte.
Este quadro é frequentemente apresentado como um ícone da angústia existencial. Uma das grandes discussões é se a figura que lá aparece está a gritar ou a ouvir um grito.
A maioria daqueles que conhecem o quadro julga que a figura está a gritar. No entanto, o próprio Munch na referência escrita que deixou sobre a obra, falava num grito da natureza. Mesmo com esta referência, alguns acham que a figura é a personificação deste grito.
Aqueles que conhecem o local, em Oslo, que serviu de fundo à pintura, falam de um matadouro próximo e até de um hospital psiquiátrico. Os gritos poderiam vir daí, da agonia dos animais perante a morte ou dos pacientes do hospital.
Alguns destacam o facto de ele ter conseguido pintar um som. Traduzem este como a ansiedade de uma pessoa no mundo actual.
É evidente que todas estas interpretações resultam da forma como cada um ajuíza aquilo que vê. A arte é isso mesmo, provoca sensações que diferem de pessoa para pessoa conforme a sensibilidade de cada um.
Afinal, se a figura está a gritar ou a ouvir um grito, pouco importa...

terça-feira, março 15, 2005

Castelo de Vide

Recentemente visitei Castelo de Vide.
Sem dúvida, esta é uma das mais belas vilas do nosso país.
As suas origens medievais são ainda bem visíveis no impressionante conjunto de portas ogivais e a sua importância ao longo dos séculos traduz-se no acervo de igrejas, casas nobres, fontes e judiaria, disperso pelas ruas de traçado íngreme e sinuoso.
Esta é daquelas vilas que, se bem conservada e explorada turisticamente, poderia atrair inúmeros visitantes e ombrear, nos destinos turísticos, com Óbidos.
Infelizmente, contrariamente a Óbidos, Castelo de Vide só quase por acidente é que se visita e, mais grave ainda, o seu património está a degradar-se de forma visível e incompreensível.

Não se compreende que uma vila com estas potencialidades praticamente não possua lojas de artesanato; cafés, que não façam lembrar os vulgares cafés de aldeia que proliferam nas freguesias do nosso país, e até mesmo os restaurantes se contam pelos dedos de uma mão.
É certo que a sobre-exploração turística é indesejável, mas aqui é o deserto absoluto, a desolação inexplicável.
O património abandonado, igrejas esventradas a aguardar ruína e casas medievais de que só resta a fachada, merecia melhor sorte. Não se compreende como estas casas não são recuperadas para o comércio (lojas de artesanato ou pequenos bares, como em Óbidos e até Marvão, que felizmente tem melhor sorte).
Por outro lado, o Castelo está com obras de vulto, onde o cimento é bem mais visível do que seria desejável...

segunda-feira, março 14, 2005

Caravaggio


Aqui há dias chamei a atenção para a exposição de Dürer em Madrid. Contudo, neste momento decorre uma outra grande exposição, num outro grande museu - National Gallery, em Londres. Aqui é Caravaggio, o mestre por excelência da luz e do jogo claro/escuro.
Os trabalhos expostos são do período final da sua carreira, nos inícios do séc. XVII. O período mais rico e interessante, já muito longe da relativa frivolidade que caracterizava as suas primeiras obras.
Neste período, em que Caravaggio teve de fugir para Roma, por ter morto um homem num duelo, a sua obra é muito mais dramática e introspectiva.
Para os felizardos que possam lá ir é um evento absolutamente imperdível.

domingo, março 13, 2005

Vilarinho da Furna




Bombardeado pelas imagens televisivas, não resisti em juntar-me à romaria rumo à aldeia de Vilarinho da Furna, submersa em 1972 pela construção de uma barragem e que periodicamente (em anos de seca?) vê novamente a luz, com o rebaixar do nível das águas.
Depois de atravessar a barragem, fomos confrontados com uma portagem de 2€ por carro ou 0,50€ por pessoa, através daqueles que se intitulavam ex-moradores (proprietários) da extinta aldeia. Paga a portagem, seguimos viagem pelo caminho que parecia transitável a uma viatura que estava longe de ser todo-o-terreno.
Passada a primeira curva, começamos a vislumbrar o logro em que caímos. O caminho tornou-se estreitíssimo, de terra batida, esburacado e a fazer recear que a viagem não teria retorno. O pesadelo agravou-se com a terrível descoberta de que a volta se faria exactamente pelo mesmo caminho e que o trânsito se efectuaria simultaneamente nos dois sentidos, sem que alguém orientasse o fluxo ou as prioridades.
O inevitável acontecia, o trânsito bloqueava quando a estrada não permitia dois carros em paralelo. Obrigava os condutores a ter calafrios ao ver abeirar-se o precipício das águas, quando o cruzamento era inevitável; a passar a milímetros dos veículos que circulam no sentido contrário, porque mais vale raspar que cair.
Enfim, a todos que lerem esta crónica e que tenham vontade de lá ir, deixem o carro próximo da barragem e desloquem-se a pé. São 2 Km de percurso, que vale a pena percorrer.

Chegados ao destino, a visão é impressionante. A aldeia conserva ainda a sua dignidade. As casas em pedra, dispostas em aparelho ciclópico não muito tosco, a mostrar que esta não era uma aldeia qualquer. Sente-se nobreza naquelas ruínas.

sábado, março 12, 2005

Garri Kasparov





O que leva Kasparov a abandonar o xadrez profissional? As razões aduzidas (desentendimentos com a FIDE; vontade de dedicar-se à política) parecem-me coisa pouca. Kasparov é talvez o maior génio de sempre do tabuleiro. Os génios não se deveriam poder dar ao luxo de deixar de ser génios, porque simplesmente o são.
Dificilmente conceberíamos que Leonardo da Vinci abandonasse voluntariamente a pintura, no auge do seu poder criador, ou Miguel Ângelo, ou Mozart, ou todos aqueles que adquiriram o estatuto de imortais na área em que se distinguiram.
No xadrez já aconteceu algo similar com o norte-americano Fischer, mas esse, a par da genialidade, sofre de notórios distúrbios psiquiátricos...

sexta-feira, março 11, 2005

Albrecht Dürer



Dürer;
Auto-Retrato aos 13 anos
1484


Dürer;
Auto-Retrato, 1498


Madrid, é hoje, neste dia 11 de Março, uma cidade sobre a qual pesam tristes recordações.
Se, no entanto, se deslocar a esta cidade, até ao próximo dia 29 de Maio, não poderá deixar de fazer uma visita ao Museu do Prado e ver a exposição dedicada ao extraordinário pintor alemão Albrecht Dürer.
A exposição conta com mais de 50 obras do artista que foi um verdadeiro Homem do Renascimento. Minucioso, reflexivo, versátil e abrangente, a sua obra foi admirada pelos seus contemporâneos, tanto no Norte como no Sul.

terça-feira, março 08, 2005

Angústia, solidão e medo em alta


Edvard Munch, "Vestido Azul"

Neste fim-de-semana, foram roubados mais três quadros do pintor norueguês Edvard Munch. Depois do incrível roubo, no Museu Munch, do ícone da angústia existencial - "O Grito" - e da "Madona", no ano passado, e dos quais aparentemente ainda nada se sabe, mais uma vez os larápios de arte escolheram obras deste talentoso pintor que rapidamente ultrapassou as fronteiras do seu país e teve uma influência vital no desenvolvimento do expressionismo alemão dos anos 20.
Desta vez, as obras escolhidas - "Vestido Azul", de 1915 e duas litografias - foram furtadas do Hotel Refnes Gods, na cidade de Moss, a sul de Oslo.
Entretanto, a polícia de Oslo teve agora mais sucesso e já conseguiu recuperar os trabalhos. Parece que os autores do furto foram jovens na casa dos vinte anos. Ainda não se sabe se há qualquer ligação entre este caso e o roubo do museu.