Recentemente visitei Castelo de Vide. Sem dúvida, esta é uma das mais belas vilas do nosso país.
As suas origens medievais são ainda bem visíveis no impressionante conjunto de portas ogivais e a sua importância ao longo dos séculos traduz-se no acervo de igrejas, casas nobres, fontes e judiaria, disperso pelas ruas de traçado íngreme e sinuoso.
Esta é daquelas vilas que, se bem conservada e explorada turisticamente, poderia atrair inúmeros visitantes e ombrear, nos destinos turísticos, com Óbidos.
Infelizmente, contrariamente a Óbidos, Castelo de Vide só quase por acidente é que se visita e, mais grave ainda, o seu património está a degradar-se de forma visível e incompreensível.

Não se compreende que uma vila com estas potencialidades praticamente não possua lojas de artesanato; cafés, que não façam lembrar os vulgares cafés de aldeia que proliferam nas freguesias do nosso país, e até mesmo os restaurantes se contam pelos dedos de uma mão.
É certo que a sobre-exploração turística é indesejável, mas aqui é o deserto absoluto, a desolação inexplicável.
O património abandonado, igrejas esventradas a aguardar ruína e casas medievais de que só resta a fachada, merecia melhor sorte. Não se compreende como estas casas não são recuperadas para o comércio (lojas de artesanato ou pequenos bares, como em Óbidos e até Marvão, que felizmente tem melhor sorte). Por outro lado, o Castelo está com obras de vulto, onde o cimento é bem mais visível do que seria desejável...
Aqui há dias chamei a atenção para a exposição de Dürer em Madrid. Contudo, neste momento decorre uma outra grande exposição, num outro grande museu - National Gallery, em Londres. Aqui é Caravaggio, o mestre por excelência da luz e do jogo claro/escuro. 
O inevitável acontecia, o trânsito bloqueava quando a estrada não permitia dois carros em paralelo. Obrigava os condutores a ter calafrios ao ver abeirar-se o precipício das águas, quando o cruzamento era inevitável; a passar a milímetros dos veículos que circulam no sentido contrário, porque mais vale raspar que cair.





