segunda-feira, março 07, 2005

Debbie Harry 'Koo Koo'



Artist: H.R. Giger

Quem é que sendo adolescente nos inícios dos anos 80 não ficou impressionado com a capa deste 'album' (como na altura se dizia)?
Os Blondie, com Debbie Harry, eram 'comerciais' (outro termo que se usava na época). Mas esta capa, da autoria de Giger, afixada nas lojas de discos, prendia-nos o olhar.

quinta-feira, março 03, 2005

Altamira


As representações animais, numerosas durante o período aurinhacense e nas épocas ulteriores, são, contrariamente às figuras humanas, mais simbólicas, dum realismo surpreendente. Esta arte vibrante é caracterizada por uma concepção "visual" e dinâmica do animal.
Escondidas nas entranhas da Terra, fora do alcance dos intrusos, estas imagens obedeceram a um propósito muito mais sério que o simples gosto de decorar. Provavelmente, foram executadas para servir um rito mágico destinado a assegurar êxito na caça.



O animal tombou no chão, moribundo, as patas já não podem com o corpo, mas baixa a cabeça para tentar defender-se das azagaias que lhe arremessam.
É uma imagem viva e realista, assombrosa pela agudeza da observação, pelo traçado firme e vigoroso, pelos matizes subtis que dão volume e relevo às formas ou, talvez pela força e dignidade da fera agonizante.

in Janson, H. W., História da Arte, Fundação Calouste Gulbenkian

terça-feira, fevereiro 22, 2005

A Cruzada das Crianças


Um estranho fenómeno ocorreu por volta de 1212, quando um pastorinho de Vendôme, no Noroeste de França, chamado Stephen, arrastou atrás de si um grupo numeroso de crianças para combater na Terra Santa, variando em idade dos seis anos para a maturidade. Deixaram os arados, os rebanhos, e qualquer outra coisa que estavam fazendo. Não ligaram ao apelo dos pais para que se retirassem da louca aventura. Quando lhes perguntavam para onde se dirigiam, respondiam: "Para Deus!". Por onde passavam recebiam esmolas e bênçãos. Chegaram a Marselha mais de 30.000 rapazes e raparigas.
Aqui, dois mercadores (Hugo Ferreus e William Porcus) ofereceram-se para os transportar a Jerusalém. Sete navios partiram imediatamente. Dois destes afundaram-se nas costas da Sardenha, os outros chegaram ao Egipto, onde foram vendidos como escravos pelos 'beneméritos' mercadores que os transportaram.
Mais tarde, à guisa de consolação, o imperador Frederico II mandou enforcar estes mercadores.
Um fenómeno similar ocorreu, pela mesma altura, na Alemanha, em que um jovem adolescente de Colónia (Nicholas) terá reunido à sua volta mais de 20.000 rapazes e raparigas. Atravessaram os Alpes entoando cânticos. Este exército já estava consideravelmente diminuído quando chegou a Brindes. O bispo da região teve o bom senso de impedir o seu embarque e poupá-los à mesma sorte que os franceses.
Muitos acreditavam ver nestes movimentos de jovens o caminho que os adultos deveriam seguir.

Para saber mais!

sábado, janeiro 15, 2005

Titã




Eis Titã!

A sonda Huygens está a revelar um mundo verdadeiramente surpreendente...
Vamos seguir atentamente esta missão.

Frase do dia


"O Pélé calado é um poeta!"

Proferida por Romário, a propósito de Pélé ter considerado estar na altura (39 anos) deste jogador se retirar do futebol.

domingo, dezembro 12, 2004

Meninos prodígio


Está a decorrer, no México, um curioso match de xadrez entre dois dos 'meninos' prodígio da actualidade: Sergey Kariakin, o xadrezista mais novo da história a conseguir o título de GM e o norte-americano de origem japonesa Hikaru Nakamura que, aos 16 anos, acaba de se consagrar campeão absoluto dos EUA.
O match está a ser sumamente interessante. Nas três partidas decorridas não houve ainda lugar a qualquer empate e, para já, é favorável a Nakamura por 2-1.
O que mais me intriga é a proliferação de meninos prodígio na actualidade. Para além dos dois já citados poderíamos acrescentar ainda Magnus Carlsen e Axel Bachmann...
Nesta época em que o xadrez mundial está quase reduzido a torneios de exibição, em que faltam eventos apelativos e que atraiam as atenções dos média (Campeonatos do Mundo, dignos do nome), o que é que fará que nesta época, de amargura para a modalidade, proliferem os meninos prodígio em quantidade e qualidade nunca vistas?
Terá a ver com os computadores?
Este é o único recurso que na actualidade qualquer um dispõe e que noutras épocas estava obviamente indisponível...

domingo, dezembro 05, 2004

Herói


Fiquei completamente siderado com este filme de Zhang Yimou que está imbuído de uma beleza quase indescritível. Um mundo de sonho, em que tudo - a coreografia, a fotografia e os movimentos de câmara - nos transporta num enleio mítico de tal forma belo e imponente (uma espécie de "Senhor dos Aneis" oriental) que nos deixa completamente prostrados, principalmente quando somos apanhados desprevenidos.
Conhecia, desde há muito, "Milho Vermelho", do mesmo realizador, mas nada me preparava para este espectáculo deslumbrante. Isto de ver os filmes com um ano ou mais de atraso, em relação às estreias nas salas de cinema, tem por vezes destes inconvenientes, ou, neste caso, grata surpresa.
Li, agora, algumas críticas sobre o filme. Muitos partilham do mesmo absoluto fascínio que senti, outros não perdoam as fantasias (dos combates, por ex.), como se isso importasse... :)

sexta-feira, novembro 26, 2004

Tigran Petrosian (1929 - 1984)


A FIDE decretou oficialmente o ano de 2004 como o ano de Tigran Petrosian.
Fiquei sensibilizado com este gesto. Porque, durante muito tempo, a imagem deste campeão (por muitos considerado um dos mais fracos de sempre) era muito pouco abonatória e, quanto a mim, extremamente injusta.
Dentro dos meus modestos recursos, não deixo de intimamente prestar homenagem a esta grande figura sempre que tento descobrir os planos do meu adversário e neutralizá-los antes que produzam estragos. Petrosian fazia isto com tanta naturalidade que tornava a maioria das partidas que disputava extremamente "aborrecidas". Frustrava as ambições atacantes dos adversários, como que antecipando tudo o que poderia desequilibrar o jogo. Com isto, Petrosian ganhou fama de invencibilidade e, na realidade, foi o único campeão que conseguiu passar a fase dos Interzonais e dos candidatos sem perder uma única partida. Feito nunca mais conseguido, nem pelos génios Fischer e Kasparov.
Petrosian ganhava poucas partidas, mas perdia ainda muito menos.
Arrancou o título de rei da "profilaxia" ao outro `monumento' desta escola e célebre teórico, Aaron Nimzovitch. Conquistou o título mundial de xadrez a um dos mais emblemáticos xadrezistas de sempre - Mikhail Botvinnik - e, surpreendentemente, manteve-o no primeiro confronto que teve com Boris Spassky. Este último, só conseguiria o título em 1969 pela margem estreita de 12,5 / 10,5.
Actualmente, já se faz justiça a este grande jogador e não há escola que se preze que não estude as suas partidas.
É um autêntico anti-herói. Como tal, pouco acarinhado, porque nada de espaventoso produziu. É, no entanto, desta massa que saem os grandes ensinamentos, que imperceptivelmente influenciam a nossa conduta.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Calcular e analisar

Ainda no livro “Xeque-Mate no Estoril – A morte de Alekhine”, Dagoberto Markl transcreve um artigo (de má memória, porque anti-semita) do próprio Alekhine, em que este faz referência à célebre passagem, sobre o xadrez, de Edgar Allan Poe, no conto “Os Crimes da Rua Morgue”:

“Calcular não é o mesmo que analisar. Um xadrezista, por exemplo, faz o primeiro sem se esforçar pelo segundo. Donde acontece que o jogo do xadrez, no que respeita aos seus efeitos sobre o carácter mental, é grandemente mal compreendido. Não estou a escrever um tratado, mas aproveito a oportunidade para asseverar que os mais elevados poderes do intelecto reflectivo são mais decidida e utilmente desenvolvidos pelo despretensioso jogo das damas do que por toda a elaborada frivolidade do xadrez. Neste último, em que as peças têm movimentos diferentes e bizarros, com vários e variáveis valores, confunde-se o complicado (um erro não invulgar) com o profundo. A atenção desempenha aqui um papel importante. Se, por um instante, enfraquece, cometeu-se um descuido, resultando daí um dano ou uma derrota... em nove de cada dez casos é o jogador com maior poder de concentração, e não o mais perspicaz, que ganha.”

Isto parece dar razão aqueles que defendem que a dedicação ao xadrez não serve para mais nada que não seja para jogar melhor xadrez...
Quando eu, jogador de 4ª ou 5ª categoria, perco a grande maioria dos jogos por erros de atenção, inclino-me a dar razão ao Edgar Allan Poe :-)

domingo, outubro 31, 2004

A Última Hora

Spike Lee é sempre interessante e surpreendente nos registos a que nos habituou. Contudo, associávamos o seu trabalho em prole de uma causa – a discriminação racial da comunidade negra norte-americana.
Neste filme, a tónica é colocada numa parcela da vida nova iorquina, já pós 11 de Setembro. O protagonismo vai para a ‘Big apple’ e para algumas figuras do seu quotidiano. Um espantoso retrato e um excelente filme, com interpretações de grande nível!