sábado, janeiro 15, 2005
Frase do dia
"O Pélé calado é um poeta!"
Proferida por Romário, a propósito de Pélé ter considerado estar na altura (39 anos) deste jogador se retirar do futebol.
domingo, dezembro 12, 2004
Meninos prodígio
Está a decorrer, no México, um curioso match de xadrez entre dois dos 'meninos' prodígio da actualidade: Sergey Kariakin, o xadrezista mais novo da história a conseguir o título de GM e o norte-americano de origem japonesa Hikaru Nakamura que, aos 16 anos, acaba de se consagrar campeão absoluto dos EUA.O match está a ser sumamente interessante. Nas três partidas decorridas não houve ainda lugar a qualquer empate e, para já, é favorável a Nakamura por 2-1.
O que mais me intriga é a proliferação de meninos prodígio na actualidade. Para além dos dois já citados poderíamos acrescentar ainda Magnus Carlsen e Axel Bachmann...
Nesta época em que o xadrez mundial está quase reduzido a torneios de exibição, em que faltam eventos apelativos e que atraiam as atenções dos média (Campeonatos do Mundo, dignos do nome), o que é que fará que nesta época, de amargura para a modalidade, proliferem os meninos prodígio em quantidade e qualidade nunca vistas?
Terá a ver com os computadores?
Este é o único recurso que na actualidade qualquer um dispõe e que noutras épocas estava obviamente indisponível...
domingo, dezembro 05, 2004
Herói
Fiquei completamente siderado com este filme de Zhang Yimou que está imbuído de uma beleza quase indescritível. Um mundo de sonho, em que tudo - a coreografia, a fotografia e os movimentos de câmara - nos transporta num enleio mítico de tal forma belo e imponente (uma espécie de "Senhor dos Aneis" oriental) que nos deixa completamente prostrados, principalmente quando somos apanhados desprevenidos.Conhecia, desde há muito, "Milho Vermelho", do mesmo realizador, mas nada me preparava para este espectáculo deslumbrante. Isto de ver os filmes com um ano ou mais de atraso, em relação às estreias nas salas de cinema, tem por vezes destes inconvenientes, ou, neste caso, grata surpresa.
Li, agora, algumas críticas sobre o filme. Muitos partilham do mesmo absoluto fascínio que senti, outros não perdoam as fantasias (dos combates, por ex.), como se isso importasse... :)
sexta-feira, novembro 26, 2004
Tigran Petrosian (1929 - 1984)
A FIDE decretou oficialmente o ano de 2004 como o ano de Tigran Petrosian.Fiquei sensibilizado com este gesto. Porque, durante muito tempo, a imagem deste campeão (por muitos considerado um dos mais fracos de sempre) era muito pouco abonatória e, quanto a mim, extremamente injusta.
Dentro dos meus modestos recursos, não deixo de intimamente prestar homenagem a esta grande figura sempre que tento descobrir os planos do meu adversário e neutralizá-los antes que produzam estragos. Petrosian fazia isto com tanta naturalidade que tornava a maioria das partidas que disputava extremamente "aborrecidas". Frustrava as ambições atacantes dos adversários, como que antecipando tudo o que poderia desequilibrar o jogo. Com isto, Petrosian ganhou fama de invencibilidade e, na realidade, foi o único campeão que conseguiu passar a fase dos Interzonais e dos candidatos sem perder uma única partida. Feito nunca mais conseguido, nem pelos génios Fischer e Kasparov.
Petrosian ganhava poucas partidas, mas perdia ainda muito menos.
Arrancou o título de rei da "profilaxia" ao outro `monumento' desta escola e célebre teórico, Aaron Nimzovitch. Conquistou o título mundial de xadrez a um dos mais emblemáticos xadrezistas de sempre - Mikhail Botvinnik - e, surpreendentemente, manteve-o no primeiro confronto que teve com Boris Spassky. Este último, só conseguiria o título em 1969 pela margem estreita de 12,5 / 10,5.
Actualmente, já se faz justiça a este grande jogador e não há escola que se preze que não estude as suas partidas.
É um autêntico anti-herói. Como tal, pouco acarinhado, porque nada de espaventoso produziu. É, no entanto, desta massa que saem os grandes ensinamentos, que imperceptivelmente influenciam a nossa conduta.
sexta-feira, novembro 05, 2004
Calcular e analisar
Ainda no livro “Xeque-Mate no Estoril – A morte de Alekhine”, Dagoberto Markl transcreve um artigo (de má memória, porque anti-semita) do próprio Alekhine, em que este faz referência à célebre passagem, sobre o xadrez, de Edgar Allan Poe, no conto “Os Crimes da Rua Morgue”:
“Calcular não é o mesmo que analisar. Um xadrezista, por exemplo, faz o primeiro sem se esforçar pelo segundo. Donde acontece que o jogo do xadrez, no que respeita aos seus efeitos sobre o carácter mental, é grandemente mal compreendido. Não estou a escrever um tratado, mas aproveito a oportunidade para asseverar que os mais elevados poderes do intelecto reflectivo são mais decidida e utilmente desenvolvidos pelo despretensioso jogo das damas do que por toda a elaborada frivolidade do xadrez. Neste último, em que as peças têm movimentos diferentes e bizarros, com vários e variáveis valores, confunde-se o complicado (um erro não invulgar) com o profundo. A atenção desempenha aqui um papel importante. Se, por um instante, enfraquece, cometeu-se um descuido, resultando daí um dano ou uma derrota... em nove de cada dez casos é o jogador com maior poder de concentração, e não o mais perspicaz, que ganha.”
Isto parece dar razão aqueles que defendem que a dedicação ao xadrez não serve para mais nada que não seja para jogar melhor xadrez...
Quando eu, jogador de 4ª ou 5ª categoria, perco a grande maioria dos jogos por erros de atenção, inclino-me a dar razão ao Edgar Allan Poe :-)
“Calcular não é o mesmo que analisar. Um xadrezista, por exemplo, faz o primeiro sem se esforçar pelo segundo. Donde acontece que o jogo do xadrez, no que respeita aos seus efeitos sobre o carácter mental, é grandemente mal compreendido. Não estou a escrever um tratado, mas aproveito a oportunidade para asseverar que os mais elevados poderes do intelecto reflectivo são mais decidida e utilmente desenvolvidos pelo despretensioso jogo das damas do que por toda a elaborada frivolidade do xadrez. Neste último, em que as peças têm movimentos diferentes e bizarros, com vários e variáveis valores, confunde-se o complicado (um erro não invulgar) com o profundo. A atenção desempenha aqui um papel importante. Se, por um instante, enfraquece, cometeu-se um descuido, resultando daí um dano ou uma derrota... em nove de cada dez casos é o jogador com maior poder de concentração, e não o mais perspicaz, que ganha.”
Isto parece dar razão aqueles que defendem que a dedicação ao xadrez não serve para mais nada que não seja para jogar melhor xadrez...
Quando eu, jogador de 4ª ou 5ª categoria, perco a grande maioria dos jogos por erros de atenção, inclino-me a dar razão ao Edgar Allan Poe :-)
domingo, outubro 31, 2004
A Última Hora
Spike Lee é sempre interessante e surpreendente nos registos a que nos habituou. Contudo, associávamos o seu trabalho em prole de uma causa – a discriminação racial da comunidade negra norte-americana.
Neste filme, a tónica é colocada numa parcela da vida nova iorquina, já pós 11 de Setembro. O protagonismo vai para a ‘Big apple’ e para algumas figuras do seu quotidiano. Um espantoso retrato e um excelente filme, com interpretações de grande nível!
sexta-feira, outubro 15, 2004
O interesse dos árabes pelo Xadrez

Estranha-se o recente interesse desmesurado dos árabes pelo Xadrez, nomeadamente pelo xeque Mohammed al-Maktoum do Dubai (Emirados Árabes Unidos), que se propõe patrocinar o match Garri Kasparov / Rustam Kasymdzhanov e construir uma cidade do Xadrez. Tanto mais se estranha este inusitado interesse, porque ainda há bem pouco tempo o xadrez era proibido em alguns países muçulmanos, como por exemplo o Irão.
Todavia, não nos devemos esquecer que quem introduziu o xadrez na Europa (através da Península Ibérica) foram justamente os muçulmanos.
Sobram ainda algumas célebres iluminuras que ilustram árabes a jogar com cristãos no tempo de Afonso X (o Sábio).
O xadrez foi muito popular no mundo islâmico, até cair de certo modo em desgraça devido ao uso de figuras e representações, proibidas pela religião islâmica.
Curiosamente, por volta do século X, o Xadrez também era mal visto pela Igreja Católica, provavelmente pelo uso de dados, que eram utilizados para determinar a vez ou a peça a jogar, o que colocava o Xadrez na categoria de jogos de azar e assim incorria-se na prática pecadora de jogar.
Este post também foi colocado no mais recente grupo de discussão de Xadrez em português: Xadrez_port
quinta-feira, outubro 07, 2004
Xadrez Nacional
A situação do xadrez nacional já há muito se adivinhava catastrófica. A desorganização e o desnorte eram evidentes. Não foi com inteira surpresa que a situação chegou ao descalabro a que agora assistimos, com dívidas acumuladas, dezenas de cheques com paradeiro desconhecido, situação de tal forma caótica que se tornou insustentável a manutenção da equipa directiva.
Assim, a surpresa não reside neste triste resultado, mas como foi possível deixar andar até este ponto de quase não retorno.
Só desejo que isto não exemplifique um microcosmos para a situação política que se vive no país!
domingo, setembro 26, 2004
Bizarria
Neste fim-de-semana fui passear até ao Gerês. Ao passar por S. Bento da Porta Aberta, tornou-se-me impossível não reparar no enorme templo aí recentemente construído.
Em termos arquitectónicos, achei este de uma bizarria de tal forma indescritível que gostaria de conhecer o autor do projecto.
Um templo de planta central, à semelhança dos bizantinos ou ortodoxos, com laivos de pagode chinês...
É verdadeiramente espantoso tal mixórdia de estilos para um cliente conservador como é a Igreja Católica!?
segunda-feira, setembro 13, 2004
O Homem na Lua
Adoro teorias de conspiração!
Muito se tem falado sobre a possibilidade da ida do Homem à Lua não ter passado de uma enorme fraude. Inúmeros 'sites' dedicam-se à análise das imagens existentes do feito para as desmontarem e provarem a sua falsidade.
Chegou-me, por e-mail, uma na nossa língua (versão brasileira).
Leiam com atenção!
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