domingo, julho 04, 2004

Chanceler Rolin



Nicolas Rolin(1376?-1462), nasceu numa família burguesa. Através da tenacidade e da astúcia tornou-se Chanceler do Duque da Borgonha, Filipe o Bom. Foi um homem extremamente rico e influente, que se manteve no cargo durante mais de quarenta anos. É este homem poderoso que Jan van Eyck, o pintor da corte, retrata neste quadro.
A importância da personagem vê-se na altivez da figura, representada de joelhos, mas à mesma altura da Virgem. Na riqueza do vestuário e luxo do palácio.
O rosto é o de um homem implacável (acusado de vender Joana d'Arc aos ingleses) que tudo fazia para propiciar ao Duque o luxo que tanto apreciava, sobrecarregando de impostos os camponeses e esmagando as revoltas.
Para além deste espantoso retrato psicológico, típico da pintura flamenga, poderemos admirar, neste pequeno quadro, a paisagem urbana que se vê pela janela. Destaca-se a ponte, a catedral gótica, os vinhedos e o pulsar de todo um universo que dali se pode avistar, já que esta cidade não representa, em concreto, qualquer cidade conhecida.
Para se admirar com pormenor esta obra-prima, exposta no Louvre, basta clicar na imagem para a ampliar.

domingo, maio 23, 2004

Aquiles

Ainda não fui ver (nem sei se irei) o filme “Tróia”. Porém, a saída do filme lembrou-me de chamar a atenção para determinados símbolos que aparecem nas pinturas e que nos permitem identificar e compreender melhor as obras-primas da arte ocidental.
Saiu, muito recentemente, um pequeno livro, da Editorial Estampa - “Guia do Apreciador de Pintura” de Marcus Lodwick -, que faz uma análise extremamente interessante a este aspecto, por vezes negligenciado até por historiadores de arte.

Penso que toda a gente conhece, em traços largos, a história de Aquiles. Era filho da ninfa do mar Tétis e do mortal Peleu. A sua mãe tentou torná-lo imortal e invulnerável. Para conseguir a invulnerabilidade, mergulhou-o no rio Estige, no Hades, enquanto o segurava pelo calcanhar, que se veio a converter no seu único ponto fraco. Aquiles foi educado pelo centauro Quíron. Tornou-se um formidável guerreiro e as suas proezas na guerra de Troia são descritas na Ilíada de Homero. Acabaria por morrer quando Páris o atingiu com uma seta envenenada no seu calcanhar.
Aquiles costuma ser representado com os atributos de guerreiro - armas e armaduras; carro; parelha de cavalos; arco e lira.
No quadro de Jean-Baptiste Regnault “A Educação de Aquiles pelo Centauro Quíron”, exposto no Louvre, o jovem guerreiro está a ser ensinado a manejar o arco pelo sábio Quíron. O leão morto simboliza a intrepidez e a dieta alimentar de Aquiles (das vísceras do animal), a lira, no chão, mostra que a música foi também uma das artes ensinada por Quíron.
O quadro poderá ser visto com pormenor aqui!

quinta-feira, maio 20, 2004

A Guerra


Intriga-me o que move Pacheco Pereira a defender tenazmente a guerra do seu amigo G. Bush!?
À medida que o desastre da intervenção americana no Iraque se torna por demais evidente e incomodamente indefensável, à luz de todos os princípios civilizacionais e humanitários, Pacheco Pereira defende 'olimpiamente' a mesma, de uma forma confrangedora e patética...

Porquê Pacheco Pereira?

quinta-feira, maio 13, 2004

Para onde vais xadrez!

O Xadrez é, sem margem para dúvidas, a actividade desportiva (será que é um desporto?) que sigo com maior interesse.
Infelizmente, desde há alguns anos, o Xadrez tornou-se mais uma actividade circense, de exibição, que propriamente uma actividade desportiva, com um quadro competitivo definido. Ninguém sabe hoje, por exemplo, quem é o Campeão do Mundo da modalidade, o que diz bem do descrédito e do progressivo apagamento do interesse e respeito pelo nobre jogo.
Há dias encontrei um texto na Lusoxadrez que espelha bem o desânimo que atravessam os amantes saudosos dos encontros dramáticos que envolviam o Ocidente contra o Leste (Fischer/Spassky), o homem do aparelho soviético contra o dissidente (Karpov/Kortchnoi) e ainda o homem do velho regime, já decadente, e o homem novo da Perestroika (Karpov/Kasparov)!


De: "replicant_pt"
Data: Ter Mai 11, 2004 4:09 pm
Assunto: Para onde vais Xadrez!

Quando leio sobre as trapalhadas do próximo campeonato FIDE, da reunificação e fórmula para se encontrar, de forma credível, um novo Campeão do Mundo, que se possa orgulhar do seu título, recordo com nostalgia todo o ciclo que no passado nos fazia seguir atentamente os zonais, interzonais e torneios de candidatos até se chegar ao apuramento do 'challenger' do Campeão do Mundo.
Nessa altura, o xadrez, apesar da sua conotação com o mundo soviético, quebrada esporádicamente por génios como Fischer, era uma modalidade respeitada e em que todos os participantes tinham objectivos bem definidos para a sua carreira.
Agora, está-se perante um enorme vazio. A presidir à FIDE está uma figura inenarrável que não trouxe mais ao xadrez que os obscuros patrocínios de eventos, que nem mediáticos conseguiram ser.
Os jogadores de elite, numa cegueira que a longo prazo lhes sairá cara, preocupam-se com os cifrões, desde que lhes garantam a permanência nos ainda chorudos torneios de elite. A prazo, os grandes patrocínios serão mais difíceis de conseguir, pois a falta de um ciclo regular de competição afasta o xadrez dos media, das massas e da chama que o poderia alimentar.

sábado, maio 08, 2004

O Código Da Vinci


Depois de ler o excelente livro de Philip Roth “A Mancha Humana”, resolvi desanuviar um pouco e embrenhar-me no best-seller do momento, que versava assuntos que sempre exerceram algum fascínio sobre mim – os Templários, as sociedades secretas, enfim, o hermetismo em geral.
Contudo, sob este ponto de vista, o livro é uma desilusão. Longe, muito longe, daquele que considero ser a maior obra-prima do género “O Pêndulo de Foucault” de Umberto Eco (e não o “Nome da Rosa”, como os nossos críticos que não leram mais nada de Umberto Eco, afirmam). Este sim, põe-nos a fazer roteiros turísticos à procura de desvendar segredos dos Templários, Rosa-Crucianos, etc.
O livro de Dan Brown é literatura do mais 'light' possível. Destina-se a um público muito pouco exigente. Todo o livro está construído sem profundidade e apenas tem como preocupação deixar uma ponta solta para o capítulo seguinte, de forma a que a leitura se torne quase compulsiva. Os capítulos são pequenos e vão-se devorando rapidamente. Sob este ponto de vista, o livro é eficaz, contudo nunca temos a ilusão de estar a ler um grande livro. Como em qualquer filme de acção/mistério (para o qual o livro vai servir de argumento) estamos apenas à espera do final. Depois, tudo se esquece.

quinta-feira, abril 15, 2004

PTChess.com


Foi inaugurado um servidor de xadrez em português em www.ptchess.com! Qualquer um pode inscrever-se, fazer o download do 'client' e jogar.
O serviço é excelente, do melhor que vi pela Net. Só desejo que tenha mais sucesso do que outras tentativas passadas.
Bem merece!

segunda-feira, abril 12, 2004

"OS MEUS LIVROS"


Esta é a melhor revista sobre livros que alguma vez se editou. É um deleite lê-la de fio a pavio...
Como tudo aquilo que é bom acaba depressa, leio cada número como se fosse o último.

quarta-feira, abril 07, 2004

Spirit


O robô “Spirit” acabou a sua missão, embora ainda continue activo. A missão destes robôs em Marte foi um sucesso em termos técnicos. Certamente a análise da imensa informação que recolheram vai trazer importantes contributos para o conhecimento científico do planeta vermelho.
Contudo, não consigo esconder uma certa frustração quanto aos resultados. Nada de verdadeiramente extraordinário foi revelado... O defeito talvez seja meu, li demasiada ficção científica na minha adolescência. :)
Não esperava que se encontrassem marcianos, mas secretamente desejava que se descobrisse, de forma indubitável, vestígios de qualquer forma primitiva de vida. Assim, soube a muito pouco!

Iraque


O caos está a generalizar-se no Iraque. Não tardará muito que as forças ocidentais abandonem o território sem honra nem glória.

domingo, abril 04, 2004

SNS


A semana passada tive de levar o meu filho às urgências hospitalares. Era Domingo e de repente ele ficou com febres muito altas que teimavam em não baixar, mesmo com analgésicos.
Foi atendido por um médico espanhol, situação cada vez mais frequente no nosso país. Este fez-lhe um rápido diagnóstico, infecção na garganta. Receitou-lhe um antibiótico e mandou continuar com analgésicos.
De madrugada começou com vómitos e diarreia. Alarmado, fui novamente às urgências. Desta vez era um médico português, que despachava a velocidade recorde todos aqueles que estavam à espera. Quando chegou a minha vez, percebi porquê. Completamente ensonado, sem se dignar olhar para a criança, ouviu-me falar em vómitos, receitou-lhe de imediato “Primperam”, para parar os vómitos.
Nesse mesmo dia fui ao pediatra, que diagnosticou uma virose intestinal. Com tratamento adequado, rapidamente melhorou.
Hoje, li no jornal, que no Hospital de Faro, uma criança foi levada quatro vezes às urgências, devido a febre altíssima. Invariavelmente foi mandada para casa, sem que se dignassem examinar o caso com atenção. A criança acabou por morrer em casa com uma septicemia generalizada...
Pela experiência que tive não me admira nada que isto aconteça com frequência!
Era bom que repensassem seriamente e urgentemente os critérios de selecção dos alunos que ingressam nas faculdades de Medicina. Enquanto imperarem exclusivamente os critérios das elevadas notas no secundário, sem tomarem em conta os aspectos vocacionais, muitas situações destas vão continuar a proliferar. Muita da experiência que tenho com os serviços de saúde, mostra-me, com demasiada frequência, a completa falta de sensibilidade da classe médica.