domingo, março 14, 2004

Sobre o Quotidiano



Sobre lo cotidiano 1
Fotografia 40x150 cms 1999


A jovem Ana Adarve é uma das grandes fotógrafas colombianas. Vamos seguir atentamente o seu percurso!

quinta-feira, março 11, 2004

Reciprocidade


Está na ordem do dia a reciprocidade na blogosfera, no que aos links diz respeito.
De início fazia-me alguma confusão, mas agora reconheço que a generosidade aqui não compensa.
Os links para blogs, aqui ao lado, obedecerão à mais elementar regra de justiça – a reciprocidade!

Os 16 anos da TSF (cont.)


A TSF já acordou!

Tarde, demasiado tarde, já não fala de outra coisa.
Como sempre, é a última aperceber-se do que marca actualidade.
Às 8:00h, já se sabia existirem dezenas de mortos e centenas de feridos, no brutal atentado em Madrid, mas a TSF ainda dava destaque às notícias preparadas de véspera.
Este trágico acontecimento, a essa hora, merecia apenas uma nota de rodapé.
Para que conste na 'vergonha' futura...

Os 16 anos da TSF


Estaria na altura de dar os parabéns à TSF pelos relevantes serviços que prestou ao país. Infelizmente, falo no pretérito, porque, na actualidade, a TSF é uma rádio que não procura qualquer diferença em relação às outras. Longe vão os tempos em que procurávamos a TSF para ter informação actualizada e longe vão os momentos épicos das reportagens do bloqueio da Ponte 25 de Abril ou da cobertura de Timor.
Agora, quando sintonizamos a TSF na esperança de ouvir as últimas do brutal atentado em Madrid, ouvimos apenas o trabalho de casa, feito de véspera, sobre o regresso dos elementos da GNR que prestaram serviço no Iraque. Ou então do descontentamento dos trabalhadores da FESTRU!?
Esta total falta de noção das proporções impressiona-me de sobremaneira. Esta rádio, que já foi noticiosa, guia-se pela agenda e não pela actualidade. Há aqui uma clara inversão de valores, como se o mundo das notícias se condicionasse pela agenda pré-determinada e não, como é óbvio, pelo inverso.
Infelizmente, esta situação não é nova. O mesmo se passou no “11 de Setembro” e, mais recentemente, no desastre do Columbia. Quando todas as televisões tinham interrompido as suas emissões para a cobertura em directo destes acontecimentos, a TSF continuava, de forma ronceira e completamente alheada do mundo, imperturbável na sua emissão mais rotineira.

domingo, março 07, 2004

XXI Torneio Internacional de Linares (3)




Terminou o XXI Torneio Internacional de Linares com a vitória de Vladimir Kramnik. A título de curiosidade, registe-se que Kramnik venceu o torneio jogando apenas 321 lances, nas 12 partidas efectuadas, o que ilustra bem a falta de combatividade a que se assistiu neste torneio.
Os piores receios confirmaram-se. Cada vez mais o Xadrez se torna, a nível das elites, um espectáculo aborrecido e pouco atractivo. Se juntarmos a isto a indefinição relativamente ao campeonato mundial e o avanço dos computadores nesta área, temos esta actividade em perigo de extinção.
Longe vão os tempos dos grandes duelos e dos grandes momentos em que todo o mundo seguia com atenção os desenlaces das partidas e as peripécias dentro e fora dos tabuleiros.
A este propósito, leia-se o livro, recentemente publicado, “Bobby Fischer Goes to War “ de David Edmonds e John Eidinow, que nos recorda o extraordinário evento, que mais do que achar o campeão mundial, era um confronto de duas formas diferentes de ver o mundo.

sexta-feira, março 05, 2004

Exames


Não compreendo o alarido feito à volta do anúncio dos exames no 6º ano!?
Certamente que estes não serão a panaceia para os problemas do ensino, mas também não serão o papão que os sindicatos, pais e professores propalam.
Aqueles que defendem que estes exames deveriam ter carácter de aferição, sem interferir na avaliação dos alunos, certamente nunca estiveram numa escola a assistir ao completo desprezo que estes manifestam por este tipo de exames.
Grande parte dos maus resultados das provas de aferição explicam-se pela completa indiferença e total falta de empenho que os alunos colocam na sua realização, pois sabem que estas, no que a eles dizem respeito, não servem para nada.
Assim, é tudo apenas mais uma diversão. Afinal, aquilo até serve para avaliar as escolas e professores...
Já é altura de exigir mais esforço e não ter medo de 'traumatizar' as criancinhas.

quarta-feira, março 03, 2004

“O Regresso do Rei” (2)


Já aqui ficou expressa a minha opinião sobre o “Regresso do Rei”. Considero este filme um monumento à capacidade de recriação de um mundo fantástico e, como tal, um monumento à arte cinematográfica. Assim, nada a opor aos 11 óscares que arrecadou.
Todavia, não me surpreende a reacção afectada de muitos pequenos intelectuais da nossa praça, que, de uma forma pouco imaginativa, tecem as habituais considerações politicamente correctas sobre as preferências da Academia.
E repetem invariavelmente a litania de que a Academia privilegia as grandes produções, em detrimento dos filmes mais intimistas e de autor...

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

XXI Torneio Internacional de Linares (2)




Finalmente, na ronda 7, tivemos luta acesa nos tabuleiros. Todas as partidas terminaram sem qualquer empate.
Chegados ao fim da primeira ronda do torneio, o húngaro Peter Leko tomou a dianteira, logo seguido de Kasparov.
Desejamos que a 'segunda parte' seja bem mais emocionante!


Mundos paralelos




Num acesso de revivalismo já aqui falei dos “Yes”, a propósito da edição de um DVD. Hoje, quase por acaso, fui parar a um dos responsáveis pela imagem de marca dos “Yes”. Estou a falar do criador de quase todas as capas para os “álbuns” do grupo – Roger Dean.
O mundo que se vê nestas criações de Dean é, no mínimo, fascinante. É tão coerente ao longo da sua obra que nos dá a ideia de ele ter visitado algum mundo paralelo!

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

CTT – Correios de Portugal


Já houve tempos em que os CTT eram um serviço público de referência. Dos poucos em que poderíamos confiar, quase sem reservas.
Espantava-me até a eficiência destes serviços, já que, comparados com os congéneres estrangeiros, pareciam-me muito mais fiáveis.
Veio a moda das privatizações, das reformas da administração pública e pagou o justo pelo pecador. O que funcionava mal nunca veio a funcionar bem e aquilo que era excelente foi nivelado pela mediocridade habitual.
Não bastava a peregrina ideia de reduzir drasticamente o pessoal, encerrando estações e delegando estes serviços nas Juntas de Freguesia, de acabar com a distribuição diária da correspondência em zonas rurais... Agora, até a mais banal função de distribuir uma carta, tornou-se uma tarefa quiçá gigantesca, que demora eternamente a ser cumprida. E não adianta nada o correio azul, este serviço de luxo que já nos anos 80 garantia a distribuição em 24 horas em todo o Portugal continental.
Uma carta enviada por esta última via no dia 17, chegou-me às mãos apenas no dia 22!!
Mas o pior ainda estava para vir...

Na minha localidade, a Câmara Municipal resolveu alterar a designação de “Rua” por “Urbanização”, mantendo-se igual a restante denominação do meu endereço.
Logo que a medida foi tomada, e antes de qualquer dos residentes saber, o carteiro fez logo um aviso à navegação de que teríamos de alterar a morada, sob o risco de que não receberíamos as cartas. Rapidamente, as cartas recebidas com o endereço “Rua” vieram assinaladas com um ameaçador círculo à volta. E, passado pouco tempo, começaram a ser devolvidas, numa incrível demonstração de excesso de zelo. Ainda indaguei o carteiro, julgando tratar-se de um mero capricho da sua parte. Mas ele garantiu-me que não, que as ordens vinham de cima e que as devoluções foram feitas antes da correspondência lhe ser distribuída.
Julgo tratar-se de um acto de prepotência indescritível. Não se distribui o correio, não por se desconhecer o destinatário ou a morada, mas única e simplesmente por efeitos de uma burocracia perniciosa. Saberão os ditos superiores o trabalho que dá mudar o endereço  em todos os serviços que nos dirigem correspondência, ainda por cima devido a uma deliberação camarária na qual não fomos tidos nem achados?
A velha máxima de que o correio deve ser entregue ao destinatário, apesar de todas as atribulações possíveis e imaginárias, que é a imagem de marca de qualquer serviço de correios do mundo, deixou de se aplicar neste país. Os correios passaram a ser uma qualquer empresa desumanizada e burocrática em que o carteiro já não toca duas vezes.