domingo, março 07, 2004

XXI Torneio Internacional de Linares (3)




Terminou o XXI Torneio Internacional de Linares com a vitória de Vladimir Kramnik. A título de curiosidade, registe-se que Kramnik venceu o torneio jogando apenas 321 lances, nas 12 partidas efectuadas, o que ilustra bem a falta de combatividade a que se assistiu neste torneio.
Os piores receios confirmaram-se. Cada vez mais o Xadrez se torna, a nível das elites, um espectáculo aborrecido e pouco atractivo. Se juntarmos a isto a indefinição relativamente ao campeonato mundial e o avanço dos computadores nesta área, temos esta actividade em perigo de extinção.
Longe vão os tempos dos grandes duelos e dos grandes momentos em que todo o mundo seguia com atenção os desenlaces das partidas e as peripécias dentro e fora dos tabuleiros.
A este propósito, leia-se o livro, recentemente publicado, “Bobby Fischer Goes to War “ de David Edmonds e John Eidinow, que nos recorda o extraordinário evento, que mais do que achar o campeão mundial, era um confronto de duas formas diferentes de ver o mundo.

sexta-feira, março 05, 2004

Exames


Não compreendo o alarido feito à volta do anúncio dos exames no 6º ano!?
Certamente que estes não serão a panaceia para os problemas do ensino, mas também não serão o papão que os sindicatos, pais e professores propalam.
Aqueles que defendem que estes exames deveriam ter carácter de aferição, sem interferir na avaliação dos alunos, certamente nunca estiveram numa escola a assistir ao completo desprezo que estes manifestam por este tipo de exames.
Grande parte dos maus resultados das provas de aferição explicam-se pela completa indiferença e total falta de empenho que os alunos colocam na sua realização, pois sabem que estas, no que a eles dizem respeito, não servem para nada.
Assim, é tudo apenas mais uma diversão. Afinal, aquilo até serve para avaliar as escolas e professores...
Já é altura de exigir mais esforço e não ter medo de 'traumatizar' as criancinhas.

quarta-feira, março 03, 2004

“O Regresso do Rei” (2)


Já aqui ficou expressa a minha opinião sobre o “Regresso do Rei”. Considero este filme um monumento à capacidade de recriação de um mundo fantástico e, como tal, um monumento à arte cinematográfica. Assim, nada a opor aos 11 óscares que arrecadou.
Todavia, não me surpreende a reacção afectada de muitos pequenos intelectuais da nossa praça, que, de uma forma pouco imaginativa, tecem as habituais considerações politicamente correctas sobre as preferências da Academia.
E repetem invariavelmente a litania de que a Academia privilegia as grandes produções, em detrimento dos filmes mais intimistas e de autor...

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

XXI Torneio Internacional de Linares (2)




Finalmente, na ronda 7, tivemos luta acesa nos tabuleiros. Todas as partidas terminaram sem qualquer empate.
Chegados ao fim da primeira ronda do torneio, o húngaro Peter Leko tomou a dianteira, logo seguido de Kasparov.
Desejamos que a 'segunda parte' seja bem mais emocionante!


Mundos paralelos




Num acesso de revivalismo já aqui falei dos “Yes”, a propósito da edição de um DVD. Hoje, quase por acaso, fui parar a um dos responsáveis pela imagem de marca dos “Yes”. Estou a falar do criador de quase todas as capas para os “álbuns” do grupo – Roger Dean.
O mundo que se vê nestas criações de Dean é, no mínimo, fascinante. É tão coerente ao longo da sua obra que nos dá a ideia de ele ter visitado algum mundo paralelo!

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

CTT – Correios de Portugal


Já houve tempos em que os CTT eram um serviço público de referência. Dos poucos em que poderíamos confiar, quase sem reservas.
Espantava-me até a eficiência destes serviços, já que, comparados com os congéneres estrangeiros, pareciam-me muito mais fiáveis.
Veio a moda das privatizações, das reformas da administração pública e pagou o justo pelo pecador. O que funcionava mal nunca veio a funcionar bem e aquilo que era excelente foi nivelado pela mediocridade habitual.
Não bastava a peregrina ideia de reduzir drasticamente o pessoal, encerrando estações e delegando estes serviços nas Juntas de Freguesia, de acabar com a distribuição diária da correspondência em zonas rurais... Agora, até a mais banal função de distribuir uma carta, tornou-se uma tarefa quiçá gigantesca, que demora eternamente a ser cumprida. E não adianta nada o correio azul, este serviço de luxo que já nos anos 80 garantia a distribuição em 24 horas em todo o Portugal continental.
Uma carta enviada por esta última via no dia 17, chegou-me às mãos apenas no dia 22!!
Mas o pior ainda estava para vir...

Na minha localidade, a Câmara Municipal resolveu alterar a designação de “Rua” por “Urbanização”, mantendo-se igual a restante denominação do meu endereço.
Logo que a medida foi tomada, e antes de qualquer dos residentes saber, o carteiro fez logo um aviso à navegação de que teríamos de alterar a morada, sob o risco de que não receberíamos as cartas. Rapidamente, as cartas recebidas com o endereço “Rua” vieram assinaladas com um ameaçador círculo à volta. E, passado pouco tempo, começaram a ser devolvidas, numa incrível demonstração de excesso de zelo. Ainda indaguei o carteiro, julgando tratar-se de um mero capricho da sua parte. Mas ele garantiu-me que não, que as ordens vinham de cima e que as devoluções foram feitas antes da correspondência lhe ser distribuída.
Julgo tratar-se de um acto de prepotência indescritível. Não se distribui o correio, não por se desconhecer o destinatário ou a morada, mas única e simplesmente por efeitos de uma burocracia perniciosa. Saberão os ditos superiores o trabalho que dá mudar o endereço  em todos os serviços que nos dirigem correspondência, ainda por cima devido a uma deliberação camarária na qual não fomos tidos nem achados?
A velha máxima de que o correio deve ser entregue ao destinatário, apesar de todas as atribulações possíveis e imaginárias, que é a imagem de marca de qualquer serviço de correios do mundo, deixou de se aplicar neste país. Os correios passaram a ser uma qualquer empresa desumanizada e burocrática em que o carteiro já não toca duas vezes.

terça-feira, fevereiro 24, 2004

Carnaval


Nunca gostei do Carnaval! Quando era pequeno, recordo-me que só me ficava na mente o número de mortos e assassinatos no Rio de Janeiro, que os noticiários actualizavam a todas as horas. É interessante que na actualidade isto não é notícia!? Será que já não morre ninguém?
Reconheço que o desfile das escolas de samba, no Rio de Janeiro, é um espectáculo portentoso e difícil de menosprezar. Contudo, as tristes imitações que por cá pululam, tentando importar uma coisa que não condiz nem com a nossa latitude (é só ver as garotas mais afoitas a tiritar de frio) é um espectáculo pobre, pouco imaginativo, apenas para satisfazer os apetites de uma população pobrete mas alegrete.

XXI Torneio Internacional de Linares




O torneio internacional de Xadrez na pequena cidade espanhola de Linares tornou-se, desde há muito, um clássico na modalidade. É dos poucos que consegue reunir a elite das elites do Xadrez.
No entanto, já há muito que não se assistia a um torneio “tão aborrecido”, em que a maioria dos jogos terminam invariavelmente num empate e, muitos deles, de curta duração. Até agora, decorridas 5 jornadas, apenas um jogo fugiu ao empate o que não auspicia grandes emoções.
Resta-nos a esperança de que a “missa” ainda não chegou à metade...

sábado, fevereiro 21, 2004

O “mundo” nas mãos



Fico deslumbrado com o poder de processamento que, hoje em dia, temos nas mãos.
Já não basta o extraordinário poder que têm os nossos  PCs de secretária, os «notebooks» e, desde há algum tempo, os pequeníssimos Pocket PCs!
Este texto foi escrito, na íntegra, num destes minúsculos aparelhos, num pequeníssimo teclado virtual, que com relutância e cepticismo me resolvi experimentar.
Como nas restantes coisas da nossa vida, tudo é uma questão de treino e experiência. Paulatinamente vamos adquirindo a destreza e, neste caso, a máquina acompanha-nos nesta aprendizagem. A escrita vai-se tornando mais fluída à medida que as palavras mais utilizadas são antecipadas.
Imaginem a liberdade que isto permite... O tempo gasto nos meios de transporte, nas intermináveis esperas com que frequentemente somos confrontados, pode agora ser, de alguma forma, aproveitado.
As horas de tédio e da rotina mais inútil servirão para preparar a agenda, actualizar as contas bancárias, continuar o texto que tínhamos iniciado em casa ou, muito simplesmente, jogar uma partida de xadrez, que podemos suspender, continuar ou acabar em qualquer altura.
Sem partilhar do pessimismo que abunda por aí, gosto muito de viver neste admirável mundo!

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Bibliotecas públicas


Muita da minha formação e dos intermináveis momentos de prazer da minha juventude são devidos à Biblioteca Pública e, mais concretamente, à Fundação Gulbenkian.
Fiquei muito surpreendido com o movimento que está a surgir em Espanha contra o pagamento de uma quantia pelos livros que são emprestados pelas Bibliotecas. O pagamento pela leitura(?), empréstimo(?) (ainda não entendi muito bem) parece dever-se a uma directiva comunitária, supostamente para proteger os direitos de autor.
A ser assim, esta medida não tardará a chegar a Portugal. E se os nossos índices de leitura são já paupérrimos, o que não será quando os adolescentes tiverem de pagar para a leitura domiciliária.
Quantos de nós, que gostamos de ler, não devemos este gosto pela leitura às bibliotecas?
Caso não tivéssemos acesso à leitura, por este meio, provavelmente hoje não seríamos leitores e compradores quase compulsivos de livros!
Daí que esta medida, supostamente para defender editores e autores, me pareça o mais estúpido ataque à cultura e à leitura. E a prazo, quem vai sofrer com isso são justamente os editores e autores, que estão a atirar pedras para o seu próprio telhado.
É daquelas medidas imediatistas e de vistas curtas, tão típicas da actualidade...