terça-feira, dezembro 02, 2003

Jocelyn Pook


Certamente, muito poucos ouviram falar desta jovem e talentosa compositora e violinista.
Em 2000, quando vi o último filme de Stanley Kubrick Eyes Wide Shut, não descansei enquanto não descobri a autoria da música que serviu de banda sonora à cena da mansão. Depois de muito procurar, surgia-me um nome absolutamente desconhecido Jocelyn Pook.
Por estranha coincidência, encontrei, numa grande superfície, o primeiro CD desta compositora, o excelente Flood, que Kubrick aproveitou como banda sonora para o seu filme. Este CD, de tão desconhecido, estava perdido pelas promoções mais baratuchas (600$00).
Agora, já mais famosa (fez a banda sonora do filme de Scorsese Gangs of New York) está a caminhar para o reconhecimento que merece.

Recomendo vivamente!

domingo, novembro 30, 2003

Ana Baptista Campeã da União Europeia de Sub-14 Femininos em Xadrez


Ana Baptista sagrou-se Campeã da União Europeia de Sub-14 Femininos em Xadrez. Nunca um(a) atleta português conseguiu um título internacional nesta modalidade. Assim, é com redobrado interesse que assistimos a este feito histórico.

Vamos seguir com atenção o percurso desta jovem!

Carne trémula


Aproveitei a colecção do “Público” para rever este filme de Pedro Almodóvar.
É, no seu universo, um registo pouco habitual. O seu tom mais clássico, quase que nos faz esquecer estarmos perante um Almodóvar.
Apesar da estranheza, é agradável de seguir. Toda a acção é envolta numa intrincada teia de vinganças e complexas relações entre os cinco personagens principais. A habitual e imensa plêiade de secundários, imagem de marca noutros filmes, aqui não tem lugar.

sexta-feira, novembro 28, 2003

Imagens


Estou com dificuldades em encontrar um alojamento para as imagens. Se alguém souber de algum 'web hosting' gratuito, onde se possam alojar imagens, agradecia que me informassem.

quinta-feira, novembro 27, 2003

Raça jesuítica

Raça jesuítica


O fervor anticlerical, nos primeiros tempos da República, seria anedótico, se em causa não estivessem seres humanos.
O "antijesuitismo" em Portugal foi, de algum modo, uma antecipação daquilo que iríamos assistir no anti-semitismo.
Os jesuítas eram considerados uma raça degenerada e defendia-se que deveriam ser deportados para uma ilha deserta ou internados em manicómios.
A fotografia mostra zelosos funcionários, do posto antropométrico de Lisboa, a medirem os crânios dos pobres jesuítas, à semelhança daquilo que mais tarde se iria assistir na Alemanha nazi, a propósito dos judeus.

Caso não consiga visualizar a imagem, carregue no botão da direita do rato, em cima do espaço da imagem, e seleccione MOSTRAR IMAGEM

Mais informações em:
http://www.triplov.com/letras/eduardo_franco/jesuitas.html
História de Portugal (Coordenação de José Mattoso), Vol. VI

quarta-feira, novembro 26, 2003

Ano mil


Tenho uma paixão desmesurada pela História. Talvez por isso, não compreenda os tratos de polé que esta sofreu no currículo do nosso ensino. Aquela que Marc Bloch definiu como a "ciência dos homens no tempo" afigura-se-me imprescindível para a compreensão do nosso mundo, cada vez mais efémero, mediático e falho de referências.
Urge encontrar o antídoto para o actual reino do fátuo!
O estudo e a leitura de algumas das mais belas páginas de história poderá ser uma experiência enriquecedora, até no plano literário...
Vejam só como Georges Duby descreve o ano mil do nosso Ocidente da cristandade:

Pouquíssimos homens - solidões que para o ocidente, para o norte, para o leste se estendem, se tornam imensas e acabam por cobrir tudo - maninhos, brejos, rios vagabundos, e as charnecas, as matas de corte, os pastos, todas as formas degradadas da floresta que os fogos das brenhas e as semeaduras furtivas dos queimadores de bosques deixam atras de si - aqui e além clareiras, um solo conquistado desta vez, mas apenas meio domado; sulcos ligeiros, irrisórios, traçados numa terra indócil por alfaias de madeira arrastadas por magros bois; neste espaço nutriente de grandes manchas ainda vazias, todos os campos que são deixados de pousio um ano, dois anos, três anos, por vezes dez anos, para que, naturalmente, em repouso, se reconstituam os princípios da sua fertilidade - choças de pedra, de lama ou de ramos, reunidas em lugarejos rodeados por sebes espinhosas e pelo cercado dos quintais - por vezes, no seio das paliçadas que a protegem, a morada dum chefe, um coberto de madeira para o mercado, celeiros, os barracões dos escravos e a fornalha das cozinhas, afastada - de longe em longe, uma cidade, mas que é apenas, penetrado pela natureza rural, o esqueleto embranquecido duma cidade romana, bairros de ruínas que as charruas contornam, uma cerca nem bem nem mal reparada, edifícios de pedra que datam do Império, convertidos em igrejas ou em cidadelas; perto deles, algumas dezenas de cabanas onde vivem vinhateiros, tecelões, ferreiros, Os artesãos domésticos que fabricam, para a guarnição e para o senhor bispo, adornos e armas; duas ou três famílias de judeus enfim que emprestam algum dinheiro sobre penhores - pistas, as longas filas das corveias de transporte, flotilhas de barcas em todos os cursos de água: tal é o Ocidente do ano mil. Rústico, aparece, diante de Bizâncio, diante de Córdova, pobríssimo e desamparado. Um mundo selvagem. Um mundo cercado pela fome.

in Georges Duby, O Tempo das Catedrais, Imprensa Universitária, Editorial Estampa,1979

terça-feira, novembro 25, 2003

Lebensborn


Aqui há tempos, numa das minhas deambulações pelos canais da TV Cabo, parei no “Odisseia”. Estava a passar um documentário sobre a Lebensborn.
Este foi mais um dos mirabolantes e tenebrosos projectos de Himmler para prosseguir a sua política de eugenia.
Vulgarmente, a ideia propalada sobre a Lebensborn é que esta era uma instituição de reprodução compulsiva, ou um sub-género de bordel dos SS com fins reprodutivos.

Teoricamente, era apenas uma organização destinada a dar assistência às mães e especialmente às mães solteiras que tinham filhos das elites raciais, principalmente de homens das SS.
Estas maternidades eram muito bem equipadas e espalhavam-se não só pela Alemanha, mas também pela Noruega, Bélgica e França.
As mães antes de serem admitidas eram submetidas a uma rigorosa selecção, de acordo com as suas credenciais étnicas e eugénicas. O mesmo era feito em relação ao pai da criança.
A partir do início da guerra, estas maternidades passaram a ser usadas para crianças raptadas ou órfãs, desde que correspondessem aos ‘padrões de qualidade’ racial.
No documentário, entrevistaram alguns ‘filhos’ da Lebensborn. Muitos deles acabaram por ser discriminados e maltratados no pós-guerra, na Alemanha e muito especialmente na Noruega!

Mais informações em:
http://www.us-israel.org/jsource/Holocaust/Lebensborn.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Lebensborn

segunda-feira, novembro 24, 2003

Noite Sangrenta (2)


Relata, assim, uma testemunha ocular (Chianca de Garcia), a morte de Machado Santos, o herói da Rotunda:

«Hoje, por acaso, no Largo do Intendente, vi a famosa camioneta do crime no meio de uma balbúrdia sangrenta. Discutia-se. Nervoso, o velho herói de 1910 tentava convencer os homens que o cercavam: 'Vocês, rapazes, estão-me levando por equívoco. Eu, em casa, estava esperando o carro que devia levar-me a Belém, onde Manuel Maria Coelho, o chefe da revolução, está a esta hora depondo do poder António José de Almeida, para, logo a seguir, empossar-me a mim, Machado Santos, no cargo de presidente da República. Entendem? Eu é que vou ser o presidente. Vocês, rapazes, estão-me levando preso por equívoco, por equívoco, por equívoco [...]' Depois estoira uma descarga. E Machado Santos escorrega e cai ferido de morte. Este foi o seu fim.»

in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, vol II

domingo, novembro 23, 2003

Tapeçaria de Bayeux


No concílio de Arras, em 1025, decidiu-se que as igrejas deviam ser decoradas de uma nova forma, de maneira a que fosse possível alargar a toda a população (quase na totalidade analfabeta) os conhecimentos bíblicos e históricos. Estes deveriam ser representados sobre tecido e constituir uma narrativa à maneira da actual banda desenhada. Este tipo de narrativa já o Imperador Trajano tinha usado na sua célebre coluna.
A belíssima tapeçaria de Bayeux , com mais de 50 metros de comprimento e 50 centímetros de largura, foi elaborada por artesãos desconhecidos e representa a vitória de Guilherme o Conquistador sobre os ingleses em Hastings (1066). Esta, pode ser admirada neste site.
Para além da beleza da obra, temos aqui também uma importante fonte documental histórica: as armas, os escudos, a forma de cavalgar, etc, podem ser admirados na tapeçaria.

Onde se esconde o Ébola?


Periodicamente surge um surto do temível vírus Ébola na África Central. É o que se passa neste momento na República do Congo.
Quando surgem estas notícias, imagino o pesadelo que seria um ataque terrorista com um vírus destes.
Esperemos nunca assistir a isso!

Uma das coisas que intriga os investigadores é qual a espécie animal que serve de hospedeiro ao vírus. Está praticamente descartada a hipótese de serem os macacos a albergar o vírus, pois estes também sucumbem à doença