sábado, novembro 22, 2003

A Noite Sangrenta


Existe um episódio da nossa história contemporânea que sempre me suscitou as maiores perplexidades.
No dia 19 de Outubro de 1921, são assassinadas importantes figuras do regime republicano. Entre elas, o chefe de governo António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia...
Permanece o mistério sobre quem terá ordenado esta ‘noite das facas longas’ à portuguesa!?
Voltarei ao tema!

quinta-feira, novembro 20, 2003

A Náusea


Acabei hoje a leitura integral desta obra de Sartre.
Sublinho o integral, porque este é daqueles livros que todos conhecem, mas poucos o leram na totalidade.
Nos tempos que correm, está muito actual o destino final do Autodidata!

E mais não digo... Leiam o livro :)

quarta-feira, novembro 19, 2003

Vandalismo (2)


Já não basta a má reputação dos nossos vândalos dos subúrbios da capital, que assaltam os incautos nos comboios e autocarros, que se divertem a apedrejar as locomotivas e transportes públicos.
Também, não chega o vandalismo das claques de futebol, que deixam um rol de destruições em todas as estações de serviço que têm a (in)felicidade de encontrar no caminho até à terrinha de origem, onde voltam a ser pacatos cidadãos.
O vandalismo adquiriu foros de marca e distinção nacional. Os nossos jovens jogadores da selecção portuguesa de futebol (sub-21) não querem deixar os nossos valorosos créditos por mãos alheias. Vai daí, não arranjaram melhor forma para comemorar a sua passagem à final, que não fosse mostrar aquilo de que somos capazes. Como aperitivo e entrada, para afirmar a condição de puros e dignos machos lusitanos, destruíram de forma simples e bastante eficiente, não deixando nada incólume, o balneário do campo adversário...

terça-feira, novembro 18, 2003

Kasparov vs X3D Fritz (3)


Como já se esperava, a última partida terminou empatada.
O resultado final do “match” foi um empate 2-2. Este resultado equilibrado não espelha propriamente as forças em presença, mas os interesses comerciais envolvidos. Durante algum tempo as coisas vão continuar desta forma...
Em termos de jogo, esta partida, após a abertura, não se adivinhava fácil para Kasparov. As brancas (X3D Fritz) podiam-se movimentar à vontade, o que para um computador significa grandes possibilidades tácticas. Todavia, Kasparov, de forma inteligente, simplificou a posição e esta rapidamente se tornou estéril.
No “Abrupto”, tem decorrido uma discussão interessante sobre este evento.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Arquivos da STASI


A STASI era a temível polícia política da extinta República Democrática Alemã. Os seus ficheiros abrangiam uma parte significativa dos cidadãos da Alemanha de Leste. Pouco antes da reunificação, estes ficheiros foram destruídos, transformados em tirinhas ou fragmentos de papel.
A reconstituição destas fichas tem sido um trabalho moroso, que ao ritmo actual levará séculos a serem reconstituídos. Quinze pessoas têm a seu cargo esta tarefa.
Segundo o “Libération” dois cientistas alemães desenvolveram um sistema informático destinado a reconstruir os cerca de 600 milhões de fragmentos. Este sistema analisa a espessura do papel, a sua cor, a escrita, etc.
Agora, estima-se que a reconstituição poderá durar apenas cinco anos.

domingo, novembro 16, 2003

Kasparov vs X3D Fritz (2)


Na terceira partida, Kasparov pôs a nu as fraquezas que os computadores ainda possuem.
De brancas, fechou o jogo e concentrou todas as suas forças na pequena debilidade das negras, na ala de dama.
O computador limitou-se a mexer as peças sem qualquer rumo ou desígnio a longo prazo. De maneira completamente passiva procurou apenas manter a posição equilibrada, não tentando qualquer contrajogo no flanco de rei, a única possibilidade para sair daquele aperto mortal. Tornou-se até penoso assistir.

Como disse no post anterior sobre o assunto, o encontro vai provavelmente terminar empatado e a superioridade das máquinas sobre os humanos ainda estará por demonstrar. Mas, num futuro muito próximo, ela será certa!

Regresso a casa


A situação que se vive no Iraque faz-me lembrar cada vez mais a situação que se viveu no Vietname e está-se a chegar àquele ponto em que um senador da altura, aconselhava, em tom irónico, perante o descalabro militar: “Há que declarar vitória e regressar para casa!

Mulher fatal


Ando a ficar preocupado. Quando finalmente toda a crítica aplaudiu Brian de Palma, pela minha parte considerei este um dos seus piores filmes...
Não me provocou uma centelha de emoção!



sábado, novembro 15, 2003

Baixas


Segundo o “Folha on line” - “o número de mortes de americanos no Iraque já supera a quantidade de soldados dos Estados Unidos mortos nos três primeiros anos da Guerra do Vietname (1965-75).

Uma análise feita pela agência de notícias Reuters a partir de estatísticas do Departamento de Defesa dos EUA mostrou ontem que a Guerra do Vietname, oficialmente iniciada em 11 de dezembro de 1961, deixou 392 mortos entre o começo de 1962 e o final de 1964, quando os EUA mantinham pouco mais de 17 mil soldados na Indochina.

Ontem, chegou a 397 o número de americanos mortos no Iraque, onde os EUA mantêm 130 mil soldados --o mesmo contingente que havia no Vietname em outubro de 1965”.

sexta-feira, novembro 14, 2003

Kasparov vs X3D Fritz


Acompanho sempre com grande entusiasmo estes duelos entre o Homem e a Máquina. A experiência recente diz-me que os interesses comerciais são mais fortes do que a competição propriamente dita. Assim, vaticino que, apesar da derrota que Kasparov sofreu ontem, o resultado vai terminar invariavelmente empatado, para satisfação dos vários interesses em jogo.
De qualquer das formas, a partida de ontem foi ilustrativa de como a prazo as máquinas serão completamente imbatíveis no Xadrez. Não porque consigam resolver o problema integral do xadrez. Ou seja, com a tecnologia actual é impossível prever todos os lances, estes são mais do que os átomos do universo. No entanto, os algorítmos dos programas actuais tornaram-se de tal forma aperfeiçoados que conciliam a vantagem de um imenso processamento de cálculo com um fino jogo estratégico, até há pouco tempo o calcanhar de Aquiles dos computadores.
Kasparov surpreendeu-se com o facto da máquina não procurar gulosamente a vantagem material em alguns lances da última partida. O que já não foi surpreendente foi a forma implacável como esta não perdoou o flagrante erro do movimento da torre ao lance 32, por parte de Kasparov, deixando a torre desprotegida, perdendo de imediato um peão.


Nesta posição, Kasparov joga a torre para g7. Seguiu-se 33.Txe5!

A máquina não se cansa, joga sempre ao mesmo nível do primeiro ao último lance. Isto o ser humano não é capaz. Durante mais algum tempo ainda se vai manter a ilusão de que o jogo do Homem é superior ao da máquina, mas o desfecho final é inelutável.